Mulher casada

Ela é casada. O marido é um bom homem : trabalhador, honesto e até um pouco carinhoso. Para eles o casamento foi a esperança de dias melhores. Estão juntos há 14 anos. Nesse período ela foi descobrindo que a vida é muito maior do que a vidinha de casada. E quando se percebe isso, uma força autônoma e visceral toma conta da alma, mente e coração da mulher. E do corpo. E o desejo é de se jogar. Para ele, a vida continua como sempre foi. Deram a largada juntos, mas cada um tomou um caminho diferente. Só não se deram conta disso. O sexo é semanal e protocolar. A mente dela vagueia em busca do novo. É fome de vida, de descobrir, de renovar. Ele se realiza no futebol de fim de semana com os amigos. O pastor da igreja falava sobre suas viagens missionárias e a vastidão do mundo; ela sonhava e tentava imaginar o dia em que conheceria lugares e pessoas. O marido não prestava atenção e seguia na sua rotina de homem casado. Um dia o trabalho exigiu que ela fosse para a cidade grande por um final de semana. Foi o suficiente : ela ligou para o pastor e disse que havia conquistado a Terra Prometida. Para o marido nem ligou, e para ele nunca mais voltou. Sim, existia amor. Mas amor que não sincroniza os passos, sonhos e desejos, é amor que vai estacionar. E amor estacionado não resiste à uma mulher que tem pressa em ser feliz.