Casamento sem sexo

O sexo desapareceu do casamento. E isso aconteceu de forma gradual, com o tempo. Ele começou à ficar até mais tarde na televisão e no computador, enquanto ela ia sozinha para a cama. Em outros dias ele reclamava do cansaço e do stress no trabalho. Sim, foi ele quem começou à demonstrar desinteresse. Como toda mulher, ela imaginou que ele estivesse tendo um caso. Ele negou, e não tinha mesmo. Quando tentavam transar, simplesmente não rolava, e a frustração dos dois só aumentava. Ela sentindo-se rejeitada, e ele, culpado. E impotente. Com álcool ele se animava, sem álcool faltava desejo e ereção. Ela cobrava explicações e ele não tinha respostas. Ele consultou psicólogo, terapeuta sexual e outros médicos. Nada funcionou. Aparentemente existia amor, pelo menos eles acreditavam que existia. Nas conversas era comum ele dizer :”sexo é diferente de amor. A parte do sexo não está muito legal, mas eu te amo!”. Ela ouvia e concordava, afinal, é verdade que sexo é diferente de amor. Mas num relacionamento, uma coisa complementa a outra, e as duas são importantes. O fato é que ela tinha muita vontade, e ele não. Ela pensava nas amigas e nas matérias de revistas que destacavam o sexo ardente no casamento. E também ouvia as histórias de mulheres que perderam o interesse, mas que acabavam transando pelo apetite do marido. E é assim mesmo, cada relacionamento tem as suas singularidades, e nunca é perfeito. É preciso pesar os prós e contras da relação e analisar se existem mais motivos para continuar juntos. Mas quem é que consegue ser tão racional nessas horas ? Dizer que o amor deve prevalecer e manter o casal unido pode ser muito bonito e até verdadeiro, mas e a situação da mulher ? Ela deve abrir mão da sua felicidade e realização pessoal ? E o marido, não estará ele se sabotando por alguma questão inconsciente ? Essa situação que é comum em muitos casamentos, e por motivos óbvios é pouco discutida, não permite respostas prontas. Cada casal deve buscar uma solução, que nunca será sem dor.

Conflitos do Cotidiano : o bebê

Observar como situações do cotidiano terminam em discussões pode nos preparar para evitá-las. Mas é bom aceitar que discordância não significa desamor, e muito menos resulta em ruptura; é uma característica humana. A cena descrita à seguir é um exemplo de como um simples diálogo se transforma rapidamente em um conflito.

– Você sempre muda de assunto quando eu falo do nosso filho.
– Precisamos esperar mais um pouco amor, você sabe que a grana anda curta.
– Você sempre fala isso e o tempo tá passando. Esperar mais quanto tempo ? Responde !
– Tá vendo porque não dá prá conversar ? Você fica estressada com isso !
– Eu estressada ? Eu fico enlouquecida porque você não toma uma atitude !
– Que atitude você quer que eu tome ? Você quer que eu faça uma besteira só prá te agradar ?
– Besteira ? Você está dizendo que o nosso filho é uma besteira ? Você é muito idiota mesmo !
– Idiota é você que fica com essa paranóia de ter um filho !
– Paranóia ? Eu quero ser mãe e você diz que eu sou louca ? Você que é um mimadinho e não leva nada à sério !
– Ah tá !! Eu trabalho igual um condenado, estudo e ainda ajudo a chata da sua mãe e eu sou mimado ? Vai te catar !
– Vai te catar você ! E não coloca a minha mãe no meio se não eu vou falar da bruxa da sua mãe !
– Eu não ofendí sua mãe, eu não chamei ninguém de bruxa !! Dobra essa língua !!
– Eu tenho 32 anos e preciso engravidar !!
– Putz que legal ! Então você quer ter um filho agora só por causa da sua idade ? É obrigação então ?
– Vá pro inferno !!!!

Fim da conversa.
Ela entra no quarto e bate a porta.
Ele abre uma cerveja e se joga no sofá.
Duas pessoas que se amam defendendo suas razões.
Nada mais humano.

Como destruir um filho

“As pessoas não gostam de pagar com confiança e amor. Preferem fazê-lo com dinheiro e mercadorias”. Hermann Hesse

Os pais erram demais. Quando criança ele se jogava no chão, a mãe comprava um presente para não passar vergonha. Na adolescência aprontava na escola, e o pai dizia que a culpa era da professora que perseguia o pobre menino. Na juventude começou à usar drogas, e ganhou dos pais um carro ‘para que ficasse mais calmo”. Já adulto e sem querer trabalhar, o pai presenteou-lhe com um emprego na própria empresa. Mas como o rapaz sempre foi problemático não precisava assumir compromissos ou trabalhar, o que era um péssimo exemplo para todos os funcionários. “Esses ingratos não gostam dele só porque é meu filho”, dizia o pai, e saía gritando pelos corredores à procura dos culpados pelo fato do filho ser o que sempre havia sido. Por sua vez, nenhum filho sobrevive de forma saudável como indivíduo num ambiente familiar assim, com pais tão desorientados. O egoísmo foi a base, os exemplos recebidos resumiram-se à arrogância, desrespeito ao próximo e mentiras. Nenhuma disciplina, nenhum elogio, nenhum carinho. Ele sente-se cada vez pior, sem perspectivas, afundando nas drogas. Os pais já prometeram um novo carro para a sua criança de quase trinta anos. Ele sabe que não faz a menor diferença em tudo isso. Os pais dizem que sempre deram do bom e melhor para ele. Só faltou o principal, certo ? Uma palavrinha de quatro letras que não existiu na vida dele e nem vai aparecer nesse texto, como sinal de protesto ao poder de destruição que alguns pais exercem diariamente contra os seus filhos.

Seguir em frente

Perdas repentinas são fontes de grande sofrimento. A vida tem uma rotina comum para todos nós : trabalhamos, estudamos, pagamos nossas contas, sonhamos com aquilo que desejamos, fazemos planos, criamos nossos filhos, nos divertimos com os amigos, e assim a vida vai seguindo. Acreditamos ter um certo controle sobre as coisas no dia a dia, e com elas estabelecemos uma lógica. De repente tudo muda diante de um fato inesperado : um acidente que vitimou um conhecido, o diagnóstico de uma doença grave ou a morte de um parente ou amigo. Só quem já passou por algo semelhante é capaz de entender o que esses acontecimentos podem causar na vida de famílias inteiras. Há algumas semanas eu escrevi um artigo sobre a importância de prestar atenção aos sinais indicativos de que um grande problema está para ocorrer. Clique aqui para ler. Mas no artigo de hoje, o foco é nas situações inesperadas, naquelas que não mandam avisos e para as quais nunca estamos preparados. Penso se existe algo que possa ser feito para aplacar o sofrimento diante desses imprevistos. E a conclusão que chego é que não, não há como reduzir os estragos. A Bíblia diz que Jesus chorou copiosamente ao saber da morte de seu amigo Lázaro. Se Jesus, o homem perfeito e Filho de Deus sofreu assim ao perder um amigo, é claro que nós não devemos esperar sentir e reagir de forma diferente. Mas acredito que é possível preparar o nosso restabelecimento após enfrentarmos o pior. Como ? Fortalecendo a fé, a esperança e a aceitação de que as perdas fazem parte da vida. Esse fortalecimento é feito antecipadamente às grandes tristezas, e diariamente. Assim, quando chegar a nossa hora de enfrentar uma perda, sofreremos sim, mas estaremos mais dispostos à retomar a vida e seguir em frente.

Você quer mesmo a alegria ?

Todo mundo quer ser alegre. Certo ? Mais ou menos. Por mais incrível que possa parecer, é comum a atitude de encarar a alegria como uma estranha que deve ser mantida à distancia. E as formas de se fazer isso são variadas. Por exemplo, algumas pessoas tem medo de perder o autocontrole na alegria, evitam situações de descontração e quando vão à uma festa ficam depois relembrando cada momento em busca de alguma atitude inadequada que possam ter demonstrado. Outras creem que a alegria e a expontâneidade depõem contra a sua reputação. Também nessa categoria estão aqueles que entendem que a sua alegria pode ofender pessoas próximas que estejam enfrentando problemas e entristecidas. Existem motivos diversos que explicam essa postura, e um dos principais é a ideia de que o que dá prazer, como a alegria, está relacionado ao pecado. Conceito esse que foi criado pelas religiões e contrário ao que a Bíblia diz, que a alegria é um dos frutos do espírito, onde não há pecado. Portanto, reflita sobre a sua relação com a alegria; será que de alguma forma você está sabotando a sua ? O que te faz feliz ? Seja qual for a sua situação, você tem muitos motivos para se alegrar. A alegria nasce das coisas mais simples e humanas, como ajudar alguém. Entenda que mesmo diante de adversidades é possível encontrar momentos alegres. Portanto, reconheça e aceite todos os motivos para se alegrar. E alegria verdadeira é aquela que é praticada, demonstrada e distribuída generosamente. Já dizia o poeta : “é melhor ser alegre que ser triste, alegria é a melhor coisa que existe, é assim como a luz no coração”. Permita que a luz da alegria ilumine o seu coração e a sua vida, sem medo nem culpa !