Você tem a força

O triste cenário econômico do país e os embates políticos são pautas diárias na imprensa. Se por um lado a informação é fundamental também é inevitável reconhecer que a energia negativa desses temas tem o poder de contaminar pensamentos, sentimentos e comportamentos. Já notou o baixo astral generalizado que paira sobre empresas, relacionamentos e nas ruas ? As conversas giram em torno dos mesmos assuntos : corrupção na política e falta de dinheiro, desemprego e desesperança. Sim, é preciso encarar a realidade mas o que eu quero propor é que, além de olhar para o que acontece no mundo à nossa volta, a gente se lembre de olhar também para o nosso mundo interior, fonte de toda paz e felicidade. Isso pode ser feito através de atitudes simples como por exemplo : passar mais tempo com a família e amigos, ou ficar sózinho para refletir sobre a própria vida. Dedicar-se à livros inspiradores. Andar descalço. Ouvir música. Dançar. Fazer o bem. Apostar nos sonhos, planejando o primeiro passo para realizá-los. É nessa simplicidade que trocamos o negativo pelo positivo e isso faz muita diferença. Quando gastamos um tempinho olhando prá dentro, desenvolvemos a força necessária para enfrentar o que acontece no mundo lá fora. Sem medo, sem ilusões e com mais equilíbrio.

O recomeço após uma separação

Fui tomar café com um amigo. Assim que entrou no carro ele disse : “tenho uma prá te contar, você vai ficar de boca aberta. Me separei !”. E continuou : “eu estou lidando bem com isso (auto-engano, ninguém lida bem com isso) mas tenho me sentido muito triste, com umas dores no corpo, bem desanimado”. É, a dor emocional faz doer o corpo e a alma. Já no café ele desabafou :”é uma loucura imaginar que tudo se perdeu e será diferente, de estar sozinho no mundo. Fico imaginando como será o futuro”. Ouví atento. Era um espelho de tudo que passei quando me separei após um casamento de 20 anos. É uma avalanche de sensações que fazem sangrar : a dor da perda, a certeza de ter fracassado em algo importante e um profundo não saber em relação ao futuro. Perdemos a identidade, o amor próprio, a referência. Escolhendo as palavras, procurei compartilhar a minha experiência na intenção de ajudar um amigo. Se bem que isso é muito delicado, o que eu vivenciei pode não contribuir em nada para alguém. Falei que diante do inevitável, a separação, procurei primeiro uma psicóloga, e só depois um advogado. Isso porque eu tinha certeza de que não suportaria tudo o que estava por vir. Buscar ajuda é sinônimo de força, mas muitos homens resistem à isso acreditando que sozinhos eles darão conta, e não darão. É preciso saber virar a página de uma fase que terminou. Caso contrário, a vida ficará presa ao passado, e não será vivida em sua plenitude. Um erro comum é não aceitar que o casamento acabou, temos dificuldades com perdas. Aceitar o fato, é o princípio da retomada. Aprendí com a Dra Kátia Villanova, que me acompanhou naquele período crítico e de quem me tornei amigo, que a pergunta que devemos fazer não é POR QUE acabou, mas sim PARA QUE acabou. Tem muita diferença aí. Quando perguntamos POR QUE, estamos apenas remoendo o que já aconteceu, nos martirizando, procurando culpados. Quando perguntamos PARA QUE, estamos raciocinando onde poderemos chegar nesse novo momento, à que situação positiva a separação pode nos levar. A perspectiva é outra. Meu amigo ouvia, sem piscar. Continuei. Refletí que esse primeiro momento pós separação é ideal para se arrumar a casa, ou seja, nosso interior. Insistí que ele procure um apoio para isso. Agora não é hora de se especular sobre o futuro. Sabe aquele ditado : “Um dia de cada vez ?”. É assim que tem que ser. E lembrei que mesmo numa situação assustadora dessa, existe algo de positivo. Aí ele sorriu com desconfiança. Mas tem sim. É o momento de redescobrir-se como pessoa. De fazer o que ficou abafado durante o tempo de casado. Não que o casamento impeça alguém de viver a sua verdade, mas é muito difícil viver a individualidade no relacionamento à dois. No casamento não sobra espaço, tempo, energia e coragem para isso. Meu amigo poderia agora pegar uma bicicleta e sair por aí com uma mochila nas costas, sem ter hora para voltar. Essa nova fase permite viver um hobbie com mais intensidade. Agora é possível viajar e descobrir novos destinos. E é exatamente essa recém chegada liberdade que assusta e causa insegurança. O lugar mais seguro do mundo pode ser dentro de uma gaiola, e a gente se condiciona à isso. Quando a portinha abre, bate o desespero. Após o café, fomos embora e ao descer do carro meu amigo agradeceu as palavras. Na verdade, eu falei apenas poucas coisas sobre tudo o que pensei em dizer. Ele descobrirá por si mesmo todas as dores e vitórias de um novo caminho. Essa é a jornada de todas as pessoas que se confrontam com perdas e sofrimento. Saber levantar-se e seguir em frente é o que nos faz melhores. Recomeçar é o que nos faz humanos.

Arrumar as malas

As malas são arrumadas apenas na véspera quando vou viajar. Sempre achei que isso era preguiça e até uma certa irresponsabilidade. Mas agora entendo que arrumar as malas é assumir e aceitar que a partida é inevitável, que haverá uma mudança na rotina e que deixaremos pessoas queridas aguardando o nosso retorno. E tudo isso causa um certo stress e a gente vai protelando arrumar as malas, mesmo que a viagem seja aguardada e muito especial. E quantas vezes na vida diante de uma mudança importante, também ficamos amedrontados e paralisados ? Mudança de emprego, de relacionamento, de atitude, de pensamentos, de fazer diferente. Por melhor que seja o resultado de uma mudança, bate a insegurança. A gente tem medo de se jogar, de acertar e ser feliz. A gente tem medo de mudar o desempenho e se dar bem, medo de que a pessoa amada diga sim, medo de que os nossos projetos pessoais e profissionais sejam um sucesso. A gente tem medo do que é bom ! Parece loucura ? Sim, parece, mas analise o seu íntimo e reflita se não existe um desses medos da felicidade por aí. E o que é pior : a gente tem a mania de colocar problemas em algo que é bom, só para ter motivos de temer e não aceitar isso. Claro que todo esse processo é totalmente inconsciente e muito difícil de ser percebido. Estar disposto à experimentar o que a vida oferece de melhor é algo que dá um novo sentido à existência. Seja qual for a mudança que se coloca diante de você nesse momento, enfrente sem medo ! A minha viagem, ou seja, o meu objetivo de vida atual consiste em descobrir o novo, respirar novos ares, buscar novos sentidos. É por isso que embarco para a Europa hoje, numa viagem que será de descobertas e reflexões. As malas ? Terminei de arrumá-las apenas hoje !