As semelhanças entre Dilma Rousseff e Rodrigo Agostinho

Os noticiários políticos nacional e local trazem nas últimas semanas manchetes que falam da estratégia tanto da presidente Dilma Rousseff como do prefeito Rodrigo Agostinho em indicar para cargos importantes nomes que tenham o poder de acalmar ânimos; no âmbito federal, acalmar o mercado, em Bauru, acalmar a Câmara Municipal e a base aliada. A escolha da presidente foi pelo economista Joaquim Levy para futuro Ministro da Fazenda, não apenas por sua incontestável competência técnica mas principalmente por sua imagem de ortodoxo convicto, que pode revestir de credibilidade a atual balbúrdia econômica instalada; o prefeito escolheu o seu Secretário de Desenvolvimento Econômico Arnaldo Ribeiro, experiente articulador político para a função de chefe de gabinete. Levy chegou dizendo que é preciso credibilidade na economia, ou seja, admitiu que a desconfiança no governo é geral; Arnaldinho, como é conhecido nos bastidores da política, vem para ‘dialogar’, verbo desconhecido pelo prefeito, dizem os mais próximos. Levy e Arnaldinho são alvos de sentimentos antagônicos : esperança e desconfiança. Esperança para quem os indicou, de que possam resolver problemas que dificultam a governabilidade. Esperança também para os interlocutores : mercado, Câmara Municipal e a base aliada, que esperam ser ouvidos. A desconfiança parte dos mesmos lugares. Quem os indicou desconfia se eles serão capazes de reduzir os estragos já solidificados, e quem precisa ter os ânimos acalmados desconfia se Joaquim Levy na economia nacional e Arnaldinho na política local conseguirão reconstruir a confiança, as alianças e os egos feridos. E mais : a carta branca que lhes foi concedida poderá mesmo ser usada em todas as situações, doa a quem doer ? A dúvida é justificável por conta do conhecido estilo centralizador da presidente e do prefeito. O Blog do Josias no UOL, ilustra o que todo mundo já sabe sobre o jeitinho Dilma de ser : ‘a parte que ela mais gosta do diálogo é quando consegue fazer o outro calar a boca’. Rodrigo não é agressivo, a sua tática é outra : deixar o interlocutor falando sozinho; isso quando permite que um diálogo comece. Agora, Dilma e Rodrigo querem convencer o mercado, a Câmara e a base aliada, respectivamente, de que são pessoas diferentes, melhores e mais preparadas. E precisam de alguém que faça isso por eles, talvez porque tenham concluído que lhes falte crédito para a missão. No fundo no fundo, Dilma sabe que é incapaz de conviver com pontos de vista diferentes, e Rodrigo pode achar que está fazendo a coisa certa ao se esquivar de firmar compromissos verdadeiros, mesmo com aliados. Acrescente-se aí certeza de que ninguém muda da noite para o dia e a conclusão aponta para outra semelhança entre eles : nem a presidente nem o prefeito querem mudar de verdade, mas apenas fazer de conta que mudaram. E precisam de alguém que conte essa história prá todo mundo. Se ‘colar’, colou; se não der certo, bastará dizer que a história foi mal contada.

 

Quem responderá por 581 mortes ?

A manchete de hoje no Jornal da Cidade causa arrepios à qualquer cidadão e mostra o dantesco quadro da saúde em Bauru :”Em três anos e meio, 581 mortes na fila de espera por hospital”, leia aqui. A matéria da jornalista Tisa Moraes mostra que o Ministério Público Federal solicitou a instauração de inquérito policial para investigar as responsabilidades do poder público nessas mortes. O Procurador da República Pedro Antonio de Oliveira Machado solicitou à Polícia Civil a apuração da existência de crimes de homicídio culposo, omissão de socorro e maus tratos. Machado também pediu informações ao prefeito Rodrigo Agostinho, à Secretaria Municipal de Saúde, à Secretaria de Estado da Saúde e ao Ministério da Saúde sobre as providências que estão sendo tomadas para o enfrentamento do problema. O Procurador determinou que o município e o Estado forneçam certidões aos pacientes esclarecendo o porque do não atendimento e internação, bem como a divulgação dos nomes dos médicos que atuam nas unidades de saúde e a escala de trabalho de cada um deles. A prefeitura também deverá instalar ponto eletrônico de frequência para os servidores vinculados ao SUS. O quanto os esforços do Ministério Público Federal e do Procurador da República resultarão na melhoria do atendimento de saúde e do respeito aos direitos básicos do cidadão, precisaremos de tempo para avaliar. Até porque, os responsáveis pelo descalabro da saúde em Bauru tem recursos e argumentação de sobra para se defender, além do poder dos cargos que ocupam. De qualquer forma, a interferência da Justiça já é um alento, uma resposta à uma sociedade duplamente afligida e indignada : tanto pelo descaso na saúde como pela passividade e omissão dos seus gestores diante de tanto sofrimento. A esperança de que 581 mortes não passarão impunes sinaliza para um momento mais justo e humano na história dessa cidade em que vivemos e amamos.

O milagre do aparecimento de vagas nos hospitais

Horas após o prefeito Rodrigo Agostinho decretar estado de calamidade pública na assistência hospitalar de Bauru, o que parecia impossível aconteceu : a fila de pacientes que aguardavam vagas nos hospitais da cidade caiu 65 % !! Um verdadeiro milagre, considerando que nos últimos meses a toda poderosa Famesp, através de sua inatingível central de vagas afirmava ser impossível atender de maneira minimamente eficiente a demanda da cidade, postura que custou a vida de dezenas de bauruenses. E agora, como num passe de mágica veja o que aconteceu : na segunda-feira passada, dia 05 de agosto, 63 pessoas aguardavam por vagas, já na sexta-feira, dia 09, esse número caiu para 22 pessoas, e no dia em que foi anunciado o decreto, 08, quinta-feira, 20 leitos de internação foram liberados. Para comparar : no sábado (dia 03) e domingo (dia 04) anteriores ao decreto foram liberados zero e 03 leitos respectivamente. A explicação oficial é que o Departamento Estadual de Saúde bloqueou o acesso de pacientes de cidades da região para Bauru, mas, será que apenas essa medida foi suficiente para esse aumento expressivo na oferta de leitos ? Ou será que antes do decreto existiam leitos que não eram disponibilizados por conta de alguma forma de gestão desumana onde prevalecem outros interesses ? Seja como for, o fato é que essa posição do Estado em impedir o acesso de pacientes aos hospitais de Bauru não será mantida por muito tempo, o que significa que o caos foi provisoriamente contornado, apenas isso. A alternativa é o município receber um repasse do Governo Federal que garantiria a contratação de leitos nos hospitais particulares de Bauru e região. Falamos no início sobre milagres, então é bom deixar claro que o santo não é o Rodrigo Agostinho, nem a Famesp, nem o Governo Estadual ou Federal. O nome do santo milagreiro, que livra do sofrimento e da morte nos corredores do Pronto Socorro e das UPAs é Ministério Público Estadual, diante do qual políticos e gestores da saúde são obrigados à prestar contas. Esse santo não perdoa. Amém.