Conselheiros perigosos

É preciso tomar cuidado com o que se diz para certas pessoas. Além dos invejosos e fofoqueiros, que dispensam apresentações, existe outro grupo especialmente perigoso : o dos conselheiros. Estão nesse grupo aqueles que sempre tem um conselho para dar, uma palavra de cautela para apresentar, uma preocupação para impôr. Fazem isso mesmo quando ninguém pediu nem conselho, nem cautela, nem preocupação. São pródigos em enxergar problemas onde não existem, e tornam pesada uma conversa que deveria ser leve e agradável. Por exemplo, se alguém conta para um indivíduo conselheiro que está muito feliz por ter comprado um carro, ouvirá toda a ladainha : ‘mas você precisava comprar um carro ? Eu acho que você deve fazer um seguro, porque estão roubando muitos carros por aí. Agora você terá mais despesas, é melhor economizar. Escuta : tome cuidado porque esse trânsito está um perigo, todo dia morre alguém’. Pronto, o pobre coitado já se arrependeu de sua conquista depois dos ‘conselhos’ que ouviu. Pais normalmente pertencem è esse grupo, porque, com raríssimas exceções sabem como poucos praticar o ato de jogar baldes de água fria em pessoas confiantes e cheias de planos, no caso, os filhos. Chefes e gerentes ídem, e quem não tem o que fazer, ídem. Esse tipo de conselheiro é gente negativa e chata, crítica e palpiteira; e que pensa saber mais da vida do que ninguém. Desconfio que essa característica de palpitar na vida alheia é um cacoete para não olhar para a própria vida e lambanças pessoais; uma espécie de auto-engano. É também uma tentativa de ser relevante, de ocupar um espaço. Eu disse no início que esse grupo é perigoso e eu explico porque. Essas pessoas disseminam dúvidas, inseguranças, medos, e mesmo que a intenção seja orientar e prevenir, acabam causando um mal maior na vida de quem dá ouvidos à sua conversa limitadora e assustadora, que vai da quebra da autoestima à falta de atitude para enfrentar os desafios com confiança. É melhor detectar quem são esses e se afastar, buscando quem realmente tem uma palavra de encorajamento. De minha parte quero pedir aos muitos conselheiros que conheço que não percam tempo me aconselhando. Se tiverem amor (ou dinheiro) para me dar tudo bem, caso contrário sejam felizes, bem longe de mim. Conselhos que nada mais são do que críticas veladas à minha forma de ser motivadas pela inveja e maldade, eu dispenso.

Nós é que sabemos

Muitas vezes olham para nós e apontam um defeito, e a gente acredita, nos esquecendo que na verdade não é um defeito, mas uma característica com a qual Deus nos abençoou e que nos faz únicos, iluminados. Por que então disseram que era um defeito ? Ora, as pessoas dizem muitas coisas que não são verdadeiras. Por isso, o importante não é o que dizem de nós, e sim, o que sabemos que somos.

Pessoas e empresas Titanic

O dia 14 de abril marcou o centenário da tragédia ocorrida com o Titanic, que deixou mais de 1.500 mortos. O navio apresentado na época como ‘inafundável’, não concluiu sequer a sua primeira viagem. Fico pensando que esse evento possibilita muitas analogias. Existem pessoas que se acham Titanic, divulgam com orgulho suas façanhas pessoais e profissionais, e até encantam num primeiro momento, mas logo depois afundam nas águas geladas dos próprios exageros e despreparo. E existem empresas Titanic, que apesar de grande aparato tecnológico e estrutura, falham em aspectos básicos. Pode ser que não atendam bem seus clientes ou que sua equipe não esteja atenta aos movimentos do mercado, da mesma forma que no passado faltaram botes salva-vidas para os passageiros e a tripulação percebeu os icebergs quando já não havia mais tempo de evitá-los. Normalmente essas empresas tem à frente um empresário com o perfil do Comandante Edward J. Smith, oficial do Titanic, um profissional experiente mas extremamente arrogante. É bom também tomar cuidado com propaganda enganosa : alguns meses antes da viagem inicial, dizia-se que de tão seguro, nem Deus afundaria o Titanic. Deu no que deu. Se você trabalha numa empresa Titanic, onde a equipe e a direção prezam pela arrogância e despreparo, é melhor ir pensando em mudar de barco : os icebergs em breve aparecerão pelo caminho.

Uma maneira de pensar a ingratidão

Poucas coisas magoam tanto quanto tentar ajudar alguém e receber em troca rejeição e grosseria. Eu imagino que você já tenha passado por isso. A ingratidão tem várias faces : pode ser o não agradecimento pelas coisas boas recebidas, sejam elas materiais ou não, tem aquela outra ingratidão típica de quando se oferece uma palavra de orientação, um conselho e a reação do interlocutor, à quem se pretende ajudar, é mal educada, além de outras. Eu já me me decepcionei tanto com atos de ingratidão que cansei, e não sofro mais. Sim, continuo levando umas bordoadas, mas não me permito mais cair em lamentações por conta disso. E sabe o que me fez mudar a postura ? Foi aceitar o fato de que eu também já agi com ingratidão muitas vezes, e certamente ainda agirei assim mesmo que de forma inconsciente. Quando olho para trás eu percebo que me afastei de muitas pessoas que participaram da minha vida e me ajudaram. E me afastei por estar envolvido em projetos profissionais e na correria do cotidiano, como todo mundo. Mas na avaliação de algumas daquelas pessoas queridas, eu posso ter sido considerado um ingrato. Entendeu ? A intenção que temos é uma, a forma como as pessoas percebem é outra. Tudo bem que essa pode ser uma ‘ingratidão mais branda, sem agressividade’, mas é outra face da mesma moeda. O que também me ensinou à ter mais paciência com atitudes ingratas, foi reconhecer que diante de Deus, todos nós agimos com ingratidão, por mais que nos esforcemos à fazer diferente. Sim, porque é humanamente impossível demonstrarmos a gratidão perfeita e completa por tudo o que Deus nos oferece. Portanto, meus amigos e amigas, vamos também olhar com mais generosidade para os gestos que consideramos ser de ingratidão, aceitando o fato de que não somos melhores do que ninguém. Assim, a vida fica mais leve e a frustração mais distante.

Mulher casada

Ela é casada. O marido é um bom homem : trabalhador, honesto e até um pouco carinhoso. Para eles o casamento foi a esperança de dias melhores. Estão juntos há 14 anos. Nesse período ela foi descobrindo que a vida é muito maior do que a vidinha de casada. E quando se percebe isso, uma força autônoma e visceral toma conta da alma, mente e coração da mulher. E do corpo. E o desejo é de se jogar. Para ele, a vida continua como sempre foi. Deram a largada juntos, mas cada um tomou um caminho diferente. Só não se deram conta disso. O sexo é semanal e protocolar. A mente dela vagueia em busca do novo. É fome de vida, de descobrir, de renovar. Ele se realiza no futebol de fim de semana com os amigos. O pastor da igreja falava sobre suas viagens missionárias e a vastidão do mundo; ela sonhava e tentava imaginar o dia em que conheceria lugares e pessoas. O marido não prestava atenção e seguia na sua rotina de homem casado. Um dia o trabalho exigiu que ela fosse para a cidade grande por um final de semana. Foi o suficiente : ela ligou para o pastor e disse que havia conquistado a Terra Prometida. Para o marido nem ligou, e para ele nunca mais voltou. Sim, existia amor. Mas amor que não sincroniza os passos, sonhos e desejos, é amor que vai estacionar. E amor estacionado não resiste à uma mulher que tem pressa em ser feliz.