Chega de culpa

A culpa é nossa companhia mais constante. Olhamos para nossos filhos e ela está lá (sempre achamos que poderíamos ter sido pais melhores), relembramos o passado e ela aparece nas fotos antigas, pensamos no futuro e ela faz um aceno, nos concentramos no presente e a vemos ao lado. Sentimos culpa por quem somos e por quem deixamos de ser. Sentimos culpa pelo que conquistamos e por aquilo que sabemos que nunca será nosso. Sentimos culpa pelos amores que conquistamos e pelos desamores que ficaram pelo caminho. Sentimos culpa por algo que fizemos sem culpa e sentimos culpa por nos culparmos. O que é a culpa ? Os dicionários ensinam que culpa é a responsabilidade por um mal causado a outra pessoa, ato repreensível ou criminoso, pecado. Certo. Mas vamos analisar esse sentimento com um olhar holístico, mais completo. A culpa é um sentimento nem sempre justificado por fatos, mas por uma percepção arraigada. Em outras palavras, a culpa pode ser criada por nós mesmos ou inserida em nosso ser por outras pessoas. E assim, mesmo que não tenhamos praticado efetivamente nenhum pecado, o sentimento está presente. A religião tem o poder de nos fazer sentir culpados, pois exige a perfeição inatingível e por não atingirmos, nos culpamos e nos culpam. Mas qual o pecado em não ser perfeito ? Alguém é ? Vamos em frente. Os pais também enchem de culpa os seus filhos ao exigirem de crianças indefesas posturas de adultos bem resolvidos; pura projeção, esperam dos pequeninos o que eles mesmos não conseguiram ser, ter e fazer. E essa cobrança acompanhará essas crianças no futuro gerando…mais culpa !!! Professores e demais autoridades também são especialistas em disseminar a culpa, pelo simples fato de que pessoas que se sentem culpadas não reagem, vivem no medo, obedecem. Aliás, instilar culpa é uma poderosa e perversa forma de manter relacionamentos doentios, onde alguém é refém da manipulação do outro que se utiliza desse subterfúgio para intimidar e exercer controle. Você deve conhecer casais que vivem assim, empresas que funcionam assim, sempre em busca do culpado do dia. Esses exemplos mostram claramente que a culpa mais comum é a culpa fictícia, a que não se justifica; existe o sentimento, mas não o fato gerador. É uma culpa inexistente, falsa, ilusória mas que causa muito sofrimento. Então, pare com isso agora mesmo ! Quando sentir a culpa cobrando o seu preço, respire profundamente e pergunte-se : eu tenho motivos REAIS para me culpar ou tudo não passa de um condicionamento ? Eu cometi um erro grave ou estou me sentindo culpado apenas por que alguém colocou isso em mim ? Não se deixe levar pelos sentimentos sem sentido. A melhor forma de se defender é através do amor por você mesmo. Aprenda a tratar-se com compaixão. Reconheça a pessoa maravilhosa que você é. Aceite que erros e acertos são os ingredientes que nos fazem únicos. Agradeça a Deus por sua história de vida, seja ela qual for. Não aceite o sentimento de culpa que é imposto por alguém ou criado por você. Caso a culpa tenha sido originada por uma atitude imprópria, procure reparar o quanto antes, peça perdão, conserte. E depois liberte a culpa e siga sua vida. Se a culpa quase sempre é uma farsa, decida-se viver em verdade.

Culpa, perdão e seguir em frente

Não se culpe. Tudo o que você fez foi o que parecia ser o melhor naquele momento. Se você não fez algo que deveria ter feito, certamente teve motivos para isso. Talvez você estivesse vivendo um período de pouca consciência, de baixa percepção, mas isso é próprio do ser humano, então não seria justo se culpar. Talvez você sinta culpa porque alguém disse que você errou. Ser acusado é muito triste, mas não significa que a pessoa que te julga esteja certa, na verdade, quem te acusa não deveria ter o poder de te abater emocionalmente. Será que essa pessoa nunca cometeu um deslize ? Pode apostar que sim. Os pais, as religiões, os amigos invejosos, os chefes, os colegas de trabalho ardilosos, todos nos repreendem, nos reduzem, nos fazem sentir culpados, inadequados, errados. Será que a culpa que você sente foi introjetada por alguém do seu relacionamento ? Entenda : o que parece certo hoje pode se mostrar algo não tão bom amanhã. A vida é mudança constante. Então não seria justo se culpar por uma situação além do seu controle que se alterou, não é verdade ? Os seus valores, suas escolhas, seu conhecimento estão sempre mudando. Ninguém é hoje a mesma pessoa que foi ontem. Deixe o passado no passado, olhe para o que você fez como aprendizado. Olhe com generosidade e amor por sua história. Se quiser pedir perdão, faça isso ainda hoje. Essa atitude faz a culpa evaporar. E se precisar perdoar alguém, faça isso ainda hoje. Perdoar deixa a alma mais leve. Se a sua culpa é com Deus, peça perdão, alivie o seu coração. Quando um lindo vaso de vidro se quebra, de que adianta ficar descalço sobre os cacos, chorando e lamentando ? Isso só nos machucaria, nos faria sangrar e impediria de continuarmos nossa caminhada. Prender-se à culpa é o mesmo que ficar pisando em cacos de algo que se quebrou. Junte os cacos e busque novos vasos. A culpa suga a vida e a vida já é curta demais. Levante a cabeça, descubra o amor e volte à viver. Não se culpe, mas aceite a sua humanidade. Deus não espera perfeição. Não queira ser mais exigente que Ele.

Perdoe, para o seu próprio bem

Se existe uma força capaz de impedir o fluxo natural da vida, essa força é aquela que advém de não perdoar. Quando não liberamos perdão entramos num estado de paralisia, perdemos a alegria e desperdiçamos nossa energia em remoer o mal que nos foi causado. Muitos estudos sugerem que quando não perdoamos podemos até adoecer física e mentalmente. Mas o que é perdoar ? Perdoar não significa esquecer, não se trata de contrair uma amnésia. Napoleão Bonaparte disse : “Posso bem perdoar, mas esquecer é outra coisa”. Entre as muitas definições para o perdão, uma é simples e esclarecedora: perdoar é escolher viver em paz quando as coisas não aconteceram como esperávamos. Percebeu ? É uma questão de escolha, que cabe à cada um. E a vida ensina que é melhor escolher ter paz do que ter razão, e que fazer papel de vítima não leva à nada. Não se trata de reconciliar-se com quem nos prejudicou, ou sermos cúmplices dele ou aceitarmos que ele tinha razão. Perdoar é uma forma de buscarmos a paz para nós mesmos, não para o outro. Afinal, quem não perdoa sofre mais do que aquele que causou o mal. Portanto, reflita se você precisa perdoar alguém e então faça isso urgentemente, para o seu próprio bem. Essa é uma das tarefas mais difíceis para qualquer pessoa, mas quando se consegue liberar o perdão, a vida ganha um novo sentido. Perdoar também significa livrar-se do passado e aceitar o presente. Procure ler sobre esse tema tão delicado. E algo muito importante : só conseguimos perdoar alguém, depois que nos perdoamos completamente. Então, comece por você. Perdoe-se, por tudo.