Culpa, perdão e seguir em frente

Não se culpe. Tudo o que você fez foi o que parecia ser o melhor naquele momento. Se você não fez algo que deveria ter feito, certamente teve motivos para isso. Talvez você estivesse vivendo um período de pouca consciência, de baixa percepção, mas isso é próprio do ser humano, então não seria justo se culpar. Talvez você sinta culpa porque alguém disse que você errou. Ser acusado é muito triste, mas não significa que a pessoa que te julga esteja certa, na verdade, quem te acusa não deveria ter o poder de te abater emocionalmente. Será que essa pessoa nunca cometeu um deslize ? Pode apostar que sim. Os pais, as religiões, os amigos invejosos, os chefes, os colegas de trabalho ardilosos, todos nos repreendem, nos reduzem, nos fazem sentir culpados, inadequados, errados. Será que a culpa que você sente foi introjetada por alguém do seu relacionamento ? Entenda : o que parece certo hoje pode se mostrar algo não tão bom amanhã. A vida é mudança constante. Então não seria justo se culpar por uma situação além do seu controle que se alterou, não é verdade ? Os seus valores, suas escolhas, seu conhecimento estão sempre mudando. Ninguém é hoje a mesma pessoa que foi ontem. Deixe o passado no passado, olhe para o que você fez como aprendizado. Olhe com generosidade e amor por sua história. Se quiser pedir perdão, faça isso ainda hoje. Essa atitude faz a culpa evaporar. E se precisar perdoar alguém, faça isso ainda hoje. Perdoar deixa a alma mais leve. Se a sua culpa é com Deus, peça perdão, alivie o seu coração. Quando um lindo vaso de vidro se quebra, de que adianta ficar descalço sobre os cacos, chorando e lamentando ? Isso só nos machucaria, nos faria sangrar e impediria de continuarmos nossa caminhada. Prender-se à culpa é o mesmo que ficar pisando em cacos de algo que se quebrou. Junte os cacos e busque novos vasos. A culpa suga a vida e a vida já é curta demais. Levante a cabeça, descubra o amor e volte à viver. Não se culpe, mas aceite a sua humanidade. Deus não espera perfeição. Não queira ser mais exigente que Ele.

Morte nas redes

O sono era insuportável. Mas a tela pedia por atenção : twitter, facebook, e-mail e pinterest eram a expectativa de novidades e surpresas. Há quatro meses dormia poucas horas e passava os dias irritado e se arrastando. Novas fotos no Instagram poderiam ser produzidas e compartilhadas, um novo post causaria no blog, novos amigos e seguidores estão pelo mundo para serem conquistados. Dinheiro que é bom nada, mas um dia o conteúdo gerado nas redes sociais será valorizado, pensava. Seus olhos se esforçam para permanecer abertos, a voz quase não existe, o que impede a gravação de um podcast sobre marketing de guerrilha. Daqui à pouco terá que sair para trabalhar e viver um mundo que não é seu, o mundo real. Esse universo virtual sugere a impressão de que pode ser controlado, o que é mentira, mas uma mentira boa de se acreditar. Amigos ? São muitos. Todos de faz-de-conta, mas melhor do que os amigos falsos de verdade da vida real. Seguidores ? É gostoso imaginar que alguém nos segue, como se fossemos líderes geniais. Roberto Carlos previu essa onda quando cantou “Eu quero ter um milhão de amigos..”. E ao som do rei, apagou. Foi encontrado no dia seguinte sobre o tablet recém comprado em seis pagamentos numa loja virtual. Ele precisava muito ser adicionado, curtido, seguido. Ele precisava de alguma forma sentir-se amado. O coração não deu conta.

Seguir em frente

Perdas repentinas são fontes de grande sofrimento. A vida tem uma rotina comum para todos nós : trabalhamos, estudamos, pagamos nossas contas, sonhamos com aquilo que desejamos, fazemos planos, criamos nossos filhos, nos divertimos com os amigos, e assim a vida vai seguindo. Acreditamos ter um certo controle sobre as coisas no dia a dia, e com elas estabelecemos uma lógica. De repente tudo muda diante de um fato inesperado : um acidente que vitimou um conhecido, o diagnóstico de uma doença grave ou a morte de um parente ou amigo. Só quem já passou por algo semelhante é capaz de entender o que esses acontecimentos podem causar na vida de famílias inteiras. Há algumas semanas eu escrevi um artigo sobre a importância de prestar atenção aos sinais indicativos de que um grande problema está para ocorrer. Clique aqui para ler. Mas no artigo de hoje, o foco é nas situações inesperadas, naquelas que não mandam avisos e para as quais nunca estamos preparados. Penso se existe algo que possa ser feito para aplacar o sofrimento diante desses imprevistos. E a conclusão que chego é que não, não há como reduzir os estragos. A Bíblia diz que Jesus chorou copiosamente ao saber da morte de seu amigo Lázaro. Se Jesus, o homem perfeito e Filho de Deus sofreu assim ao perder um amigo, é claro que nós não devemos esperar sentir e reagir de forma diferente. Mas acredito que é possível preparar o nosso restabelecimento após enfrentarmos o pior. Como ? Fortalecendo a fé, a esperança e a aceitação de que as perdas fazem parte da vida. Esse fortalecimento é feito antecipadamente às grandes tristezas, e diariamente. Assim, quando chegar a nossa hora de enfrentar uma perda, sofreremos sim, mas estaremos mais dispostos à retomar a vida e seguir em frente.