Quando é difícil ajudar

São muitas as formas de lidar com problemas : enfrentando, fugindo ou abstraindo, por exemplo. Mas à essas atitudes, ou à falta delas, precede uma fase de introspecção, de distanciamento de tudo e de todos. É um período para organizar o mundo interior e entender melhor o que se passa do lado de fora. Reflexão é fundamental diante de problemas ou decisões que precisam ser tomadas. Mas aí mora o perigo. Você talvez conheça pessoas que diante de uma crise se isolam de tal forma que não se ajudam e nem aceitam ser ajudadas. Não ouvem sugestões, não falam o que sentem e não enxergam a saída. É como se entrassem num quarto escuro e se amarrassem aos velhos problemas, dormindo com eles, fazendo as pazes com eles. Fazendo as pazes com eles ? Sim, e a prova disso é perceber que quando deixam o seu estado de reclusão os problemas ainda estão lá, os mesmos, os de sempre. Não houve solução ou alívio, mas um conformismo nocivo. Foi uma decisão de não mudar, afinal é mais fácil conviver com as dores conhecidas do que buscar a felicidade que não se conhece. Dá muita vontade de ajudar quem se comporta (se sabota ?) assim, especialmente se for alguém que amamos, mas isso é bem complicado porque as tentativas de ajuda quase sempre são interpretadas como intromissão. O melhor é aceitar que cada um leva a vida do jeito que escolhe, mesmo que as escolhas sejam inconscientes. Quem nunca agiu de um jeito bem idiota só prá se arrepender mais tarde ? A escritora francesa do iluminismo, Madame de Stael, disse : ‘na vida você tem que escolher entre tédio e sofrimento’. Tem gente que escolhe os dois. Paciência.