Manifestações e retórica da enganação

O PT e seus simpatizantes não dão trégua. No dia seguinte às manifestações que se multiplicaram pelo país pedindo o fim da corrupção – nesse momento representada politicamente pelo PT, Lula e Dilma – chega à ser engraçado acompanhar os argumentos contrários aos protestos. Na incapacidade de negar os fatos criminosos que recaem sobre o partido e suas principais figuras, a única linha de defesa dos lulopetistas é o ataque. E durante essa segunda-feira teve de tudo nas timelines de quem tentou desqualificar a presença de quase quatro milhões de brasileiros nas ruas nesse domingo : desde citações de racismo até a idéia de que forças invisíveis – elites, poderosos, influentes, conspiradores, entidades não identificadas – articularam as manifestações; um esforço para negar a iniciativa expontânea de uma sociedade que não suporta mais tanta canalhice na política, seja lá qual for o partido que está no poder. E falando nisso, o mantra dos petistas para defender Lula e suas maracutaias é : “mas e o Aécio ? Ele também tem culpa !” É a típica reação de quem não tem defesa. É o sujo falando do mal lavado. E para todos eles existe a Lava Jato. No mimimi dessa segunda-feira, sobraram comentários infelizes da tropa de choque do governo, como do ministro da Casa Civil Jaques Wagner, para quem ‘os protestos foram produzidos e segmentados’. O grupo Folha, que engloba além do jornal também o UOL e o Datafolha, divulgou que o púbico presente na Avenida Paulista foi inferior a 500 mil pessoas, enquanto a Polícia Militar falava em mais de 1 milhão e meio de manifestantes. A Folha ainda caracterizou os protestos como sendo de uma elite branca e assim colocou a sensível questão do racismo para defender os seus próprios interesses ideológicos e comerciais. O bom de viver numa democracia é que cada um fala o que quer e acredita no que quiser. Tem gente que acredita que o PT, Lula e Dilma são almas puras e inocentes. Por outro lado, cada vez mais brasileiros acreditam que essa turma já causou um mal muito grande para o país e chegou a hora do acerto de contas. A retórica da enganação chegou ao fim.

Tudo por um pãozinho com casca

A gente acha que a vida nos deve obrigações e satisfações. Sabemos que o sol nascerá amanhã, que o dia será de 24 horas e que haverá oxigênio disponível para todos. Isso nos faz acreditar que sempre teremos o básico para nossa subsistência, e que é natural a vida nos prover o que necessitamos diariamente. E essa atitude faz com que nos esqueçamos de valorizar, e agradecer, as coisas mais simples. Na verdade, é só quando perdemos o que consideramos corriqueiro, que percebemos o seu valor. Muitas pessoas doentes são tolhidas de atitudes, prazeres e gestos aparentemente insignificantes para quem tem saúde. Reformulando : aquilo que é absurdamente comum quando se tem uma certa dose de saúde, torna-se uma conquista memorável para quem tem alguma limitação, momentânea ou permanente. Pensei nessa questão ao acompanhar a entrevista do ex-presidente Lula, que comemora a vitória sobre um câncer de garganta. Após falar sobre o choque inicial ao saber do diagnóstico, os tratamentos dolorosos de radio e quimioterapia e a importância da fé em todo esse processo, Lula disse que a sua maior alegria será o dia em que ele puder comer um pãozinho com casca. Palavras dele : “esse será o dia !!”. Percebeu ? O maior desejo do homem reconhecido mundialmente e presidente do Brasil por duas vezes é poder comer um simples pãozinho com casca ! Algo que é banal para a maioria, mas que foi interrompido pela doença, é a grande meta da vida do Lula. Essa história e tantas outras parecidas nos fazem olhar com gratidão para as coisas mais simples da vida. É bom nos lembrarmos e valorizarmos a simplicidade das coisas, dos momentos e das pessoas. Com a consciência de que tudo é passageiro, e deixará saudades.