É amor mesmo ?

Falar é muito fácil. Outro dia um amigo dizia que sua esposa estava triste porque ele não concordava que ela voltasse ao mercado de trabalho. Ele explicava : “Por que ela tem que voltar à trabalhar ? Ela tem tudo o que precisa e eu à amo muito !”. Aí eu interrompi e perguntei que raio de amor é esse que desconsidera os sonhos e desejos da própria esposa. E ele desconversou. Falar em amor é bonitinho, mas só falar é inútil. Amor é ação e não discurso. Quando existe algum problema sério no relacionamento, como uma traição, o que cometeu o erro dirá : “Eu sei que errei mas eu te amo !”. Será que é amor mesmo ? A palavra amor tem sido utilizada para justificar várias atitudes. Então o marido é rude mas diz que ama a sua esposa, o cidadão no trabalho fala pelas costas mas diz que não fez por mal porque gosta do seu colega, os pais punem exageradamente os seus filhos e dizem que é por amor. Amor à pátria, amor à uma religião, amor à um líder, amor à um time de futebol; o amor tem servido de justificativa para muitas guerras e barbáries. Mais um exemplo : um covarde agride sua mulher, física ou verbalmente, e depois vem dizer que à ama ! E tem gente que mata e diz que foi por amor ! Para existir em qualquer relação, o amor tem que ser construído, e isso dá trabalho, exige tempo e entrega. Eu só posso dizer que amo alguém se eu me interessar por essa pessoa e me empenhar para que ela seja melhor e mais feliz. Em certos casamentos a cumplicidade, o respeito e o sentimento desapareceram, mas a palavra amor é repetida muitas vezes. Da boca prá fora, claro. Amor é ação, é movimento. Se não for assim, é só fingimento.