Você recusa coisas boas por achar que não merece ?

“Isso é muito caro prá mim.’
‘Isso é tão bom que nem sonho em ter’.
‘Isso seria maravilhoso, mas não vou nem me iludir com isso.’
‘Aquela pessoa jamais vai se interessar por mim. É muita areia para o meu caminhãozinho.’
‘Não quero nem ver porque sei que nunca vou conseguir comprar.’
‘Nem vou tentar aquela vaga de emprego porque sei que tem muita gente mais preparada do que eu.’

Reconhece essas frases ? Elas são familiares ?

A sensação de não merecimento nasce na infância, estimulada por tudo o que ouvimos, vimos e experimentamos. O não merecimento é uma crença altamente limitante que conduz ao fracasso, à insatisfação e às doenças. Quem acha não ser merecedor não tem objetivos, não prospera, não vive. Sua lógica destrutiva é mais ou menos essa :
‘Por que eu vou me esforçar se eu sei que não conseguirei ? Afinal, eu não mereço mesmo, é melhor deixar prá lá.’ E a pessoa vai deixando tudo prá lá : relacionamentos, carreira, família, saúde, uma vida satisfatória, Deus, enfim, tudo. Aos olhos dos outros ela pode ser vista como indolente, desinteressada, egoista e preguiçosa. Aos seus próprios olhos sente-se refém de uma situação que não consegue identificar, reconhece que algo não funciona bem dentro de si – principalmente quando se compara com pessoas da mesma idade e origem que progridem na vida pessoal e profissional – mas não sabe qual o problema. Isso ocorre porque o sentimento de não merecimento está confortavelmente instalado no inconsciente e para acessar esse lugar desconhecido e que exerce total controle sobre nossos comportamentos é preciso muito esforço. Acreditar não ser merecedor das abundantes provisões da vida é uma crença limitante, e a boa notícia é que é possível desconstruí-la. Como ? Uma opção é buscar ajuda profissional, e você também pode utilizar a sua força interior; uma escolha não elimina a outra. Para o trabalho interior utilize essas ferramentas comprovadamente eficazes.

1 – Escreva. Coloque num papel os motivos que, a seu ver, justificam a sua percepção de não merecer o que é ótimo. Escrever sobre os sentimentos é uma forma de tirá-los do coração e poder encará-los. Muitas vezes a folha se completa, em outras, poucas linhas trazem um esclarecimento. Leia com atenção e depois pique a folha em centenas de pedacinhos.

2 – Questione. Quando surgir a idéia de que aquele emprego, aquele carro, aquela roupa, aquela pessoa não são para você porque representam conquistas ótimas, pergunte-se : ‘Mas por que não são para mim ? Quem foi que disse isso ? O que vai acontecer de ruim se eu ao menos tentar ?’ Esse questionamento fará você pensar de um jeito diferente.

3 – Escreva novamente. Só que agora você vai escrever o que adoraria ter, ser e fazer. Escreva sobre bens materiais, experiências, emoções. Escreva sem medo de se comprometer. Escreva sem medo de estar cometendo um pecado, porque você não está ! Guarde a folha.

4 – Afirme. Afirmações positivas são frases que, utilizadas repetidamente, tem o poder de alcançar o inconsciente, substituindo crenças limitantes. A idéia é bastante simples : repetindo torna-se verdade para você, sendo verdade você acredita e assim substitui as crenças antigas. Você muda os seus pensamentos. A americana Louise Hay, que há mais de 30 anos ensina e comprova os resultados gloriosos das afirmações positivas, sugere algumas para você repetir várias vezes ao dia, em voz alta ou mentalmente :

‘Abro os braços e declaro com amor que mereço e aceito todo o bem’.
‘Sou merecedor/a. Mereço tudo o que é bom. Não uma parte, não um pouquinho, mas tudo o que é bom’.
‘Agora, afasto de mim todos os pensamentos negativos e restritivos. Liberto e deixo ir minhas limitações’.
‘Mereço uma vida boa. Mereço amor em abundância’.

5 – Ore. Peça para Deus tirar do seu coração o sentimento de não merecimento.  Diga que você reconhece e aceita todas as bençãos que Ele tem para você. E comprometa-se a viver plenamente.

Faça esse processo diariamente, e mesmo que você não acredite que vai dar certo permita-se experimentar, vai valer a pena. Afinal, você sabe o quanto machuca o sentimento de se colocar à margem para os outros passarem. Eu sei muito bem o que é isso porque vivi assim boa parte da minha vida. Achava que não merecia as coisas boas, que o melhor pedaço deveria ser dos outros, que eu devia me contentar com pouco, e se eu quisesse mais poderia irritar alguém. Passei anos me satisfazendo com migalhas enquanto olhava o banquete de oportunidades que a vida oferece. Mas deixarei os detalhes dessa minha história para outro post. As ferramentas de cura interior que eu mencionei acima tem me ajudado bastante, e já tive apoio profissional. E um insight foi decisivo para eu buscar ajuda nessa questão. Um dia, enquanto meditava, ocorreu-me que por negar a plenitude da vida, eu estava sendo ingrato com Deus ! Sim, porque se Ele me abençoa tão ricamente – e abençoa à todos – e deseja que eu tome posse de bençãos, como é que eu vou recusar por conta de minhas crenças limitantes ? Não posso. Precisava me curar urgentemente. Aprendi que somos dotados de um arsenal interior capaz de criar milagres, e quis conhecê-los e utilizá-los. Hoje estou mais consciente de que a abudância está disponível para todos, inclusive para mim. Ainda me esforço diáriamente para desenvolver crenças de merecimento, e sinto a felicidade de viver mais plenamente e em total gratidão.

Chega de culpa

A culpa é nossa companhia mais constante. Olhamos para nossos filhos e ela está lá (sempre achamos que poderíamos ter sido pais melhores), relembramos o passado e ela aparece nas fotos antigas, pensamos no futuro e ela faz um aceno, nos concentramos no presente e a vemos ao lado. Sentimos culpa por quem somos e por quem deixamos de ser. Sentimos culpa pelo que conquistamos e por aquilo que sabemos que nunca será nosso. Sentimos culpa pelos amores que conquistamos e pelos desamores que ficaram pelo caminho. Sentimos culpa por algo que fizemos sem culpa e sentimos culpa por nos culparmos. O que é a culpa ? Os dicionários ensinam que culpa é a responsabilidade por um mal causado a outra pessoa, ato repreensível ou criminoso, pecado. Certo. Mas vamos analisar esse sentimento com um olhar holístico, mais completo. A culpa é um sentimento nem sempre justificado por fatos, mas por uma percepção arraigada. Em outras palavras, a culpa pode ser criada por nós mesmos ou inserida em nosso ser por outras pessoas. E assim, mesmo que não tenhamos praticado efetivamente nenhum pecado, o sentimento está presente. A religião tem o poder de nos fazer sentir culpados, pois exige a perfeição inatingível e por não atingirmos, nos culpamos e nos culpam. Mas qual o pecado em não ser perfeito ? Alguém é ? Vamos em frente. Os pais também enchem de culpa os seus filhos ao exigirem de crianças indefesas posturas de adultos bem resolvidos; pura projeção, esperam dos pequeninos o que eles mesmos não conseguiram ser, ter e fazer. E essa cobrança acompanhará essas crianças no futuro gerando…mais culpa !!! Professores e demais autoridades também são especialistas em disseminar a culpa, pelo simples fato de que pessoas que se sentem culpadas não reagem, vivem no medo, obedecem. Aliás, instilar culpa é uma poderosa e perversa forma de manter relacionamentos doentios, onde alguém é refém da manipulação do outro que se utiliza desse subterfúgio para intimidar e exercer controle. Você deve conhecer casais que vivem assim, empresas que funcionam assim, sempre em busca do culpado do dia. Esses exemplos mostram claramente que a culpa mais comum é a culpa fictícia, a que não se justifica; existe o sentimento, mas não o fato gerador. É uma culpa inexistente, falsa, ilusória mas que causa muito sofrimento. Então, pare com isso agora mesmo ! Quando sentir a culpa cobrando o seu preço, respire profundamente e pergunte-se : eu tenho motivos REAIS para me culpar ou tudo não passa de um condicionamento ? Eu cometi um erro grave ou estou me sentindo culpado apenas por que alguém colocou isso em mim ? Não se deixe levar pelos sentimentos sem sentido. A melhor forma de se defender é através do amor por você mesmo. Aprenda a tratar-se com compaixão. Reconheça a pessoa maravilhosa que você é. Aceite que erros e acertos são os ingredientes que nos fazem únicos. Agradeça a Deus por sua história de vida, seja ela qual for. Não aceite o sentimento de culpa que é imposto por alguém ou criado por você. Caso a culpa tenha sido originada por uma atitude imprópria, procure reparar o quanto antes, peça perdão, conserte. E depois liberte a culpa e siga sua vida. Se a culpa quase sempre é uma farsa, decida-se viver em verdade.

Nós é que sabemos

Muitas vezes olham para nós e apontam um defeito, e a gente acredita, nos esquecendo que na verdade não é um defeito, mas uma característica com a qual Deus nos abençoou e que nos faz únicos, iluminados. Por que então disseram que era um defeito ? Ora, as pessoas dizem muitas coisas que não são verdadeiras. Por isso, o importante não é o que dizem de nós, e sim, o que sabemos que somos.

Culpa, perdão e seguir em frente

Não se culpe. Tudo o que você fez foi o que parecia ser o melhor naquele momento. Se você não fez algo que deveria ter feito, certamente teve motivos para isso. Talvez você estivesse vivendo um período de pouca consciência, de baixa percepção, mas isso é próprio do ser humano, então não seria justo se culpar. Talvez você sinta culpa porque alguém disse que você errou. Ser acusado é muito triste, mas não significa que a pessoa que te julga esteja certa, na verdade, quem te acusa não deveria ter o poder de te abater emocionalmente. Será que essa pessoa nunca cometeu um deslize ? Pode apostar que sim. Os pais, as religiões, os amigos invejosos, os chefes, os colegas de trabalho ardilosos, todos nos repreendem, nos reduzem, nos fazem sentir culpados, inadequados, errados. Será que a culpa que você sente foi introjetada por alguém do seu relacionamento ? Entenda : o que parece certo hoje pode se mostrar algo não tão bom amanhã. A vida é mudança constante. Então não seria justo se culpar por uma situação além do seu controle que se alterou, não é verdade ? Os seus valores, suas escolhas, seu conhecimento estão sempre mudando. Ninguém é hoje a mesma pessoa que foi ontem. Deixe o passado no passado, olhe para o que você fez como aprendizado. Olhe com generosidade e amor por sua história. Se quiser pedir perdão, faça isso ainda hoje. Essa atitude faz a culpa evaporar. E se precisar perdoar alguém, faça isso ainda hoje. Perdoar deixa a alma mais leve. Se a sua culpa é com Deus, peça perdão, alivie o seu coração. Quando um lindo vaso de vidro se quebra, de que adianta ficar descalço sobre os cacos, chorando e lamentando ? Isso só nos machucaria, nos faria sangrar e impediria de continuarmos nossa caminhada. Prender-se à culpa é o mesmo que ficar pisando em cacos de algo que se quebrou. Junte os cacos e busque novos vasos. A culpa suga a vida e a vida já é curta demais. Levante a cabeça, descubra o amor e volte à viver. Não se culpe, mas aceite a sua humanidade. Deus não espera perfeição. Não queira ser mais exigente que Ele.

A voz das ruas

 

Pelas ruas eu percebo um brilho diferente no olhar das pessoas. Nessa janela da alma que é o olhar, existe agora um orgulho que explode, uma esperança que desconhece o impossível. A força interior que muitos nem sabiam possuir, e a voz que por tanto tempo foi calada, produzem uma mobilização inspiradora pelas ruas das cidades. Ruas que estavam tristes, frustradas, resignadas, mas que agora ganham um sopro de vida, cidadania e transformação. Todas as grandes mudanças através da história, em todos os lugares do mundo, começaram nas ruas. Talvez issso esteja acontecendo agora, aqui. Na última segunda feira em Bauru, acompanhando a manifestação pela redução da tarifa de onibus, eu chorei emocionado ao ouvir as vozes das ruas em uníssono e ver que a união por uma causa maior fazia estranhos se tratarem como amigos. Se é verdade que a voz do povo é a voz de Deus, Ele agora está nas ruas. E eu continuarei me encontrando com Ele ali. #vemprarua