Intimidação nos semáforos em Bauru

Dois cruzamentos em vias de grande movimento geram apreensão nos motoristas.

O problema não é o tráfego intenso, mas os ‘donos’ dessas esquinas.

Refiro-me aos indivíduos que oferecem-se para limpar os parabrisas dos carros que aguardam no sinal vermelho.

Invariavelmente estão alcoolizados e/ou drogados. Aproximam-se de forma ameaçadora. Abordam as motoristas mulheres e idosos. São insistentes, recusando-se a ouvir uma negativa sobre o ‘serviço’ que querem prestar em troca de umas moedas para comprar mais bebidas e drogas.

Demonstram sua irritação agitando no ar baldes e vassouras, como armas prontas a serem utilizadas. Na calçada, entre panos velhos e imundos é possível notar garrafas de aguardente.

Todo esse material representa risco também para os pedestres que são obrigados a mudar de calçada para evitar o encontro com esses seres ameaçadores.

Em boa parte do dia ou da noite eles estão lá, em semáforos conhecidos dos bauruenses : Rua Amadeu Sangiovani esquina com a Avenida Getúlio Vargas (esquina do Supermercado Paulistão) e na Nações Unidas esquina com Rodrigues Alves, local onde um motorista foi agredido por um desses vagabundos (tem outro adjetivo ?) no ano passado.

Até quando o cidadão precisará passar por isso ? Já não bastam outras formas de violência e insegurança as quais somos submetidos todos os dias ?

Cadê a polícia ?

O Conselho Tutelar retira das esquinas crianças que pedem esmolas, com o objetivo de protegê-las e encaminhá-las as famílias. Mas e esses marmanjos inconvenientes ? Quem age contra eles ?

Cadê a polícia ?

Será preciso uma tragédia para as autoridades tomarem providências ?

Eu como cidadão tenho direito de cobrar : cadê a polícia ??!!

Quem responderá por 581 mortes ?

A manchete de hoje no Jornal da Cidade causa arrepios à qualquer cidadão e mostra o dantesco quadro da saúde em Bauru :”Em três anos e meio, 581 mortes na fila de espera por hospital”, leia aqui. A matéria da jornalista Tisa Moraes mostra que o Ministério Público Federal solicitou a instauração de inquérito policial para investigar as responsabilidades do poder público nessas mortes. O Procurador da República Pedro Antonio de Oliveira Machado solicitou à Polícia Civil a apuração da existência de crimes de homicídio culposo, omissão de socorro e maus tratos. Machado também pediu informações ao prefeito Rodrigo Agostinho, à Secretaria Municipal de Saúde, à Secretaria de Estado da Saúde e ao Ministério da Saúde sobre as providências que estão sendo tomadas para o enfrentamento do problema. O Procurador determinou que o município e o Estado forneçam certidões aos pacientes esclarecendo o porque do não atendimento e internação, bem como a divulgação dos nomes dos médicos que atuam nas unidades de saúde e a escala de trabalho de cada um deles. A prefeitura também deverá instalar ponto eletrônico de frequência para os servidores vinculados ao SUS. O quanto os esforços do Ministério Público Federal e do Procurador da República resultarão na melhoria do atendimento de saúde e do respeito aos direitos básicos do cidadão, precisaremos de tempo para avaliar. Até porque, os responsáveis pelo descalabro da saúde em Bauru tem recursos e argumentação de sobra para se defender, além do poder dos cargos que ocupam. De qualquer forma, a interferência da Justiça já é um alento, uma resposta à uma sociedade duplamente afligida e indignada : tanto pelo descaso na saúde como pela passividade e omissão dos seus gestores diante de tanto sofrimento. A esperança de que 581 mortes não passarão impunes sinaliza para um momento mais justo e humano na história dessa cidade em que vivemos e amamos.

Gestão da saúde em Bauru é calamidade pública

A assustadora situação da saúde em Bauru tem sido notícia nos meios de comunicação nos últimos meses, mas essas são notícias que alguns gestores públicos preferem ignorar. Quando confrontados por jornalistas e cidadãos à respeito do tema, praticam o conhecido e hipócrita jogo do empurra, eximindo-se de responsabilidades e jogando a culpa nas costas de outros. Muitas vezes nas costas dos próprios pacientes, como se alguém escolhesse ficar doente para enfrentar filas intermináveis no Pronto Socorro Central e nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). São absurdas algumas declarações feitas em passado recente de que “as pessoas procuram o P.S. Central sem necessidade e isso contribui para o caos no atendimento” ( sem necessidade ? será que alguém vai passear no Pronto Socorro porque não tem lugar melhor para ir ?!); “a população precisa entender que não existe dinheiro para resolver o problema” (nem dinheiro, nem vontade política, nem gestão criativa e muito menos respeito à vida, certo ?); “estamos elaborando um projeto para resolver esse problema no futuro, mas dependemos de ajuda dos governos estadual e federal, e contamos com a compreensão da população” (claro ! projetos que não se concretizam, recursos que nunca chegam e a população enquanto compreende tudo isso vai enterrando os seus mortos por falta de atendimento); “os médicos não querem trabalhar para o município” (querer eles querem, mas é preciso que o salário seja condizente com a profissão e o mercado). Em relação à essa última justificativa, importante ressaltar que o problema mais grave não é a falta de médicos, e sim a falta de leitos. As 518 mortes ocorridas nos corredores do Pronto Socorro de Bauru, no período de março de 2009 à julho de 2013, foram de pessoas que aguardavam vagas em hospitais. Agora o prefeito decretou estado de calamidade pública na assistência hospitalar de Bauru. O quanto isso resolverá as angústias da população, só o tempo dirá. É bom o cidadão manter os olhos abertos, bem abertos.

A voz das ruas

 

Pelas ruas eu percebo um brilho diferente no olhar das pessoas. Nessa janela da alma que é o olhar, existe agora um orgulho que explode, uma esperança que desconhece o impossível. A força interior que muitos nem sabiam possuir, e a voz que por tanto tempo foi calada, produzem uma mobilização inspiradora pelas ruas das cidades. Ruas que estavam tristes, frustradas, resignadas, mas que agora ganham um sopro de vida, cidadania e transformação. Todas as grandes mudanças através da história, em todos os lugares do mundo, começaram nas ruas. Talvez issso esteja acontecendo agora, aqui. Na última segunda feira em Bauru, acompanhando a manifestação pela redução da tarifa de onibus, eu chorei emocionado ao ouvir as vozes das ruas em uníssono e ver que a união por uma causa maior fazia estranhos se tratarem como amigos. Se é verdade que a voz do povo é a voz de Deus, Ele agora está nas ruas. E eu continuarei me encontrando com Ele ali. #vemprarua

O recomeço após uma separação

Fui tomar café com um amigo. Assim que entrou no carro ele disse : “tenho uma prá te contar, você vai ficar de boca aberta. Me separei !”. E continuou : “eu estou lidando bem com isso (auto-engano, ninguém lida bem com isso) mas tenho me sentido muito triste, com umas dores no corpo, bem desanimado”. É, a dor emocional faz doer o corpo e a alma. Já no café ele desabafou :”é uma loucura imaginar que tudo se perdeu e será diferente, de estar sozinho no mundo. Fico imaginando como será o futuro”. Ouví atento. Era um espelho de tudo que passei quando me separei após um casamento de 20 anos. É uma avalanche de sensações que fazem sangrar : a dor da perda, a certeza de ter fracassado em algo importante e um profundo não saber em relação ao futuro. Perdemos a identidade, o amor próprio, a referência. Escolhendo as palavras, procurei compartilhar a minha experiência na intenção de ajudar um amigo. Se bem que isso é muito delicado, o que eu vivenciei pode não contribuir em nada para alguém. Falei que diante do inevitável, a separação, procurei primeiro uma psicóloga, e só depois um advogado. Isso porque eu tinha certeza de que não suportaria tudo o que estava por vir. Buscar ajuda é sinônimo de força, mas muitos homens resistem à isso acreditando que sozinhos eles darão conta, e não darão. É preciso saber virar a página de uma fase que terminou. Caso contrário, a vida ficará presa ao passado, e não será vivida em sua plenitude. Um erro comum é não aceitar que o casamento acabou, temos dificuldades com perdas. Aceitar o fato, é o princípio da retomada. Aprendí com a Dra Kátia Villanova, que me acompanhou naquele período crítico e de quem me tornei amigo, que a pergunta que devemos fazer não é POR QUE acabou, mas sim PARA QUE acabou. Tem muita diferença aí. Quando perguntamos POR QUE, estamos apenas remoendo o que já aconteceu, nos martirizando, procurando culpados. Quando perguntamos PARA QUE, estamos raciocinando onde poderemos chegar nesse novo momento, à que situação positiva a separação pode nos levar. A perspectiva é outra. Meu amigo ouvia, sem piscar. Continuei. Refletí que esse primeiro momento pós separação é ideal para se arrumar a casa, ou seja, nosso interior. Insistí que ele procure um apoio para isso. Agora não é hora de se especular sobre o futuro. Sabe aquele ditado : “Um dia de cada vez ?”. É assim que tem que ser. E lembrei que mesmo numa situação assustadora dessa, existe algo de positivo. Aí ele sorriu com desconfiança. Mas tem sim. É o momento de redescobrir-se como pessoa. De fazer o que ficou abafado durante o tempo de casado. Não que o casamento impeça alguém de viver a sua verdade, mas é muito difícil viver a individualidade no relacionamento à dois. No casamento não sobra espaço, tempo, energia e coragem para isso. Meu amigo poderia agora pegar uma bicicleta e sair por aí com uma mochila nas costas, sem ter hora para voltar. Essa nova fase permite viver um hobbie com mais intensidade. Agora é possível viajar e descobrir novos destinos. E é exatamente essa recém chegada liberdade que assusta e causa insegurança. O lugar mais seguro do mundo pode ser dentro de uma gaiola, e a gente se condiciona à isso. Quando a portinha abre, bate o desespero. Após o café, fomos embora e ao descer do carro meu amigo agradeceu as palavras. Na verdade, eu falei apenas poucas coisas sobre tudo o que pensei em dizer. Ele descobrirá por si mesmo todas as dores e vitórias de um novo caminho. Essa é a jornada de todas as pessoas que se confrontam com perdas e sofrimento. Saber levantar-se e seguir em frente é o que nos faz melhores. Recomeçar é o que nos faz humanos.