Distâncias e distanciamentos

Por conta do meu aniversário, hoje eu conversei e recebi mensagens de pessoas queridas : minha irmã que mora em Lima no Peru, meu sobrinho da Alemanha em férias por Miami, meu primo de uma cidade do interior, amigos de Bauru com os quais não falava há tempos e amigos virtuais com os quais falo regularmente sem conhecê-los pessoalmente. Além dos colegas do dia-a-dia. As distâncias se encurtaram e as distanciamentos desapareceram. E como essa experiência é sempre muito boa, eu me pergunto se ela tem que ser mesmo tão rara. Já reparou como a gente acaba se afastando de pessoas que fizeram ou fazem parte da nossa vida ? Esquecemos pelo caminho um parente, um colega de escola ou de trabalho, um vizinho, um amigo. A justificativa para isso é a correria diária, as preocupações, etc. Tudo bem. Acontece que essas pessoas podem trazer consigo um pedaço da nossa história, uma parte de nós que insistimos em procurar em outros lugares. Com elas talvez esteja a peça que falta para a nossa plenitude, para o nosso auto-conhecimento. Quando resgatamos a convivência com pessoas que queremos bem, estamos olhando para a história de nossa vida, e em alguns casos, elaborando uma segunda chance. Pense se você precisa se reaproximar de alguém para fazer as pazes com o seu passado. Isso não é saudosismo, é viver consciente. E pense se você precisa se reaproximar de alguém que convive com você. Isso não é fraqueza, é amor.

Aniversário e reflexões

São três as ocasiões que me levam à fazer um balanço mais profundo da minha vida : o fim de ano, a morte de algum conhecido e a data do meu aniversário. Na verdade, a gente deveria pensar profundamente na vida todos os dias, mas não dá tempo. O budismo chama essa atitude de inconsciência, quase um estado de sono do qual é preciso despertar para evitar o sofrimento, mesmo assim muitos de nós vive como sonâmbulos. Voltando às datas de reflexão. No fim de ano penso no que fiz e deixei de realizar nos doze últimos meses que passaram voando; diante da morte de um conhecido ou de uma celebridade, me assusto com a fragilidade e brevidade da vida e prometo para mim mesmo não mais me preocupar com bobagens, promessa esquecida horas depois. Mas é na data do meu nascimento que me sinto mais perdido em pensamentos, sentimentos e emoções. Começo à ficar ‘estranho’ uns dois dias antes, a ansiedade aumenta o coração acelera. Queria pular esse dia no calendário, ou fugir dele. Espero que as pessoas esqueçam a data e não me presenteiem. Sei que fico com cara de bobo quando me cumprimentam. Claro que todas essas neuras desaparecem ao primeiro ‘feliz aniversário’ que recebo, e então começo à sentir aquela felicidade indescritível própria de quem tem amigos queridos. Por que eu ajo assim ? Bem, são várias as explicações sobre as quais falarei em outra oportunidade. Mas o fato é que no meu aniversário faço a reflexão mais profunda sobre quem sou e como tenho levado a minha vida. Nesse balanço, algumas vezes positivo e outras nem tanto, aprendi que o mais importante é agradecer, perdoar, aceitar e acreditar. E também continuar. Note que essas cinco atitudes tem o poder de nos guiar com serenidade pela vida, e juntas, conduzem à maior de todas as atitudes : amar. Se ingredientes fossem, resultariam num delicioso bolo de aniversário, digno de ser compartilhado com todas as pessoas que queremos bem e que nos fazem ser quem somos. Aceita um pedaço ?