Inveja se combate com felicidade

Eu não me prendo às maldades que fazem comigo. Claro que no primeiro momento eu sinto o abalo causado por uma traição, uma fofoca, ou uma mentira dita à meu respeito. E quanto maior a proximidade da pessoa que agiu assim, maior a minha decepção, sempre acompanhada das conhecidas reações : boca seca, palpitação, e aquele ímpeto de resolver tudo imediatamente, aos gritos, de preferência. Durante muitos anos foi assim que eu lidei com essas situações ‘inesperadas’, mas esse jeito reativo de defesa, além de não resolver, acabava criando novos problemas. Muitas vezes eu chegava à conclusões precipitadas, errava na avaliação e perdia a razão. O resultado ? Eu me sentia culpado pelo descontrole. Com o tempo, fui aprendendo a divina provisão do equilíbrio. Hoje, diante de um aparente ato de falsidade, eu ainda tenho as reações físicas que são amenizadas com a respiração consciente que acalma e afasta a raiva. Se a intenção da outra pessoa foi realmente me prejudicar, eu passo à fase do diálogo, o que não significa discussão ou briga. Já aconteceu do agressor não querer conversar e até justificar a sua atitude maldosa. Tudo bem, eu fiz minha parte. Depois disso, meu coração ficará blindado para essa pessoa e eu me prepararei para uma ação consciente em relação à ela (alguns amigos chamam isso de vingança, eu chamo de ‘organizar relacionamentos’). Claro que eu aceito que todos somos imperfeitos e também acredito na justiça divina, mas nem por isso vou me permitir enganar ou atingir pela mesma pessoa, vez após vez. Isso não seria espírito cristão, mas burrice. E assim eu não me prendo às maldades que fazem comigo. Sigo em frente de cabeça erguida, na paz de Deus. Essa sim é a maior vingança aos ‘amigos’ e ‘colegas’ movidos pela inveja : a minha felicidade.

Momentos completos

Os bons momentos não são eternos, mas podem ser completos, então é preciso vivê-los intensamente. No amor, na convivência com os filhos ou amigos, o que faz um relacionamento ser satisfatório é ser vivido de forma completa. É uma experiência de entrega consciente. Um dia esses relacionamentos serão lembrados com arrependimento ou alegria, dependendo se foram superficiais ou baseados na força do amor e da cumplicidade. O curioso é que parece mais fácil viver completamente os problemas e as tristezas, do que as alegrias e os prazeres. A gente coloca mais foco na dor do que no amor. Um amigo me falou que se lembra apenas dos momentos ruins na sua vida, e não dos bons. Acho que um dos principais motivos é que fomos programados para aceitar e carregar o fardo do sofrimento; sentir a leveza da alegria beira o pecado. Sabe aquele remorso que vem impiedosamente quando vemos que nossos filhos cresceram, um relacionamento acabou ou perdemos alguém muito querido para a morte ? Nos sentimos mal porque pensamos que poderíamos ter feito melhor, poderíamos ter vivido e aproveitado mais a companhia dessas pessoas. Em outras palavras : poderíamos ter sido mais completos com elas. É maravilhoso despertar para esse fato e optar viver completamente os momentos quando estamos com as pessoas que amamos, como nossos filhos, pais e amigos. O contato com elas deve ser olho no olho, sem a interferência da tv, do computador ou do smartphone. Poucas coisas tem valor verdadeiro, e essas precisam ser vividas em sua inteireza. Saudade boa vem do que vivemos completamente, saudade doída é a que fica do que foi incompleto.