Uma ajuda para você começar bem o dia

Em certas manhãs pode ser mais difícil sair da cama, e o motivo nem sempre é o sono. O desânimo diante de uma rotina sem sentido e o temor pelos compromissos que o dia reserva podem despertar sentimentos de medo e ansiedade. Como lidar com isso ? Ainda na cama, em primeiro lugar inspire profundamente, isso oxigeniza o cérebro e acalma a mente instantaneamente. Depois agradeça tudo o que puder : a noite de sono, seu quarto, sua cama, seu travesseiro, o dia que está começando, agradeça por estar vivo. Agradecendo você se dá conta de como tem uma vida abençoada e isso faz com que o seu coração seja tomado de paz. Em seguida, ESCOLHA pensamentos de alegria e amor, lembre-se das pessoas que ama, coloque emoção nos seus desejos, imagine-se saboreando as suas conquistas como se elas já tivessem acontecido. Se notar as preocupações e o medo surgindo durante esse momento mágico, respire profunda e lentamente mais uma vez, acalme-se e confie que todos os seus assuntos se resolverão na hora certa, então você pode desapegar-se deles agora. ESCOLHA sua conversa interior : diga que você está apto a resolver tudo o que está na sua vida, e que com serenidade e fé será possível perceber os sinais emitidos pelo Universo que irão ajudá-lo a tomar as melhores decisões. Se o problema é a insatisfação com o seu trabalho, reconheça que é melhor um trabalho razoável do que o desemprego, e então idealize uma oportunidade profissional que lhe traga realização e dinheiro, e diga : ‘eu estou aberto para aceitar um novo trabalho !’ Se nesse dia tiver que enfrentar uma situação que considere desafiadora, poderá dizer algo assim  : ‘eu estou preparado para lidar com todos os assuntos na minha vida. Eu estou seguro e em paz’. Repetindo as frases as suas dúvidas tendem à enfraquecer. Afirmações positivas disparam uma energia criativa e motivadora e pulverizam a inércia e o medo paralisante. Encerre com uma oração. Esse exercício interior transformará o seu dia.

Chega de culpa

A culpa é nossa companhia mais constante. Olhamos para nossos filhos e ela está lá (sempre achamos que poderíamos ter sido pais melhores), relembramos o passado e ela aparece nas fotos antigas, pensamos no futuro e ela faz um aceno, nos concentramos no presente e a vemos ao lado. Sentimos culpa por quem somos e por quem deixamos de ser. Sentimos culpa pelo que conquistamos e por aquilo que sabemos que nunca será nosso. Sentimos culpa pelos amores que conquistamos e pelos desamores que ficaram pelo caminho. Sentimos culpa por algo que fizemos sem culpa e sentimos culpa por nos culparmos. O que é a culpa ? Os dicionários ensinam que culpa é a responsabilidade por um mal causado a outra pessoa, ato repreensível ou criminoso, pecado. Certo. Mas vamos analisar esse sentimento com um olhar holístico, mais completo. A culpa é um sentimento nem sempre justificado por fatos, mas por uma percepção arraigada. Em outras palavras, a culpa pode ser criada por nós mesmos ou inserida em nosso ser por outras pessoas. E assim, mesmo que não tenhamos praticado efetivamente nenhum pecado, o sentimento está presente. A religião tem o poder de nos fazer sentir culpados, pois exige a perfeição inatingível e por não atingirmos, nos culpamos e nos culpam. Mas qual o pecado em não ser perfeito ? Alguém é ? Vamos em frente. Os pais também enchem de culpa os seus filhos ao exigirem de crianças indefesas posturas de adultos bem resolvidos; pura projeção, esperam dos pequeninos o que eles mesmos não conseguiram ser, ter e fazer. E essa cobrança acompanhará essas crianças no futuro gerando…mais culpa !!! Professores e demais autoridades também são especialistas em disseminar a culpa, pelo simples fato de que pessoas que se sentem culpadas não reagem, vivem no medo, obedecem. Aliás, instilar culpa é uma poderosa e perversa forma de manter relacionamentos doentios, onde alguém é refém da manipulação do outro que se utiliza desse subterfúgio para intimidar e exercer controle. Você deve conhecer casais que vivem assim, empresas que funcionam assim, sempre em busca do culpado do dia. Esses exemplos mostram claramente que a culpa mais comum é a culpa fictícia, a que não se justifica; existe o sentimento, mas não o fato gerador. É uma culpa inexistente, falsa, ilusória mas que causa muito sofrimento. Então, pare com isso agora mesmo ! Quando sentir a culpa cobrando o seu preço, respire profundamente e pergunte-se : eu tenho motivos REAIS para me culpar ou tudo não passa de um condicionamento ? Eu cometi um erro grave ou estou me sentindo culpado apenas por que alguém colocou isso em mim ? Não se deixe levar pelos sentimentos sem sentido. A melhor forma de se defender é através do amor por você mesmo. Aprenda a tratar-se com compaixão. Reconheça a pessoa maravilhosa que você é. Aceite que erros e acertos são os ingredientes que nos fazem únicos. Agradeça a Deus por sua história de vida, seja ela qual for. Não aceite o sentimento de culpa que é imposto por alguém ou criado por você. Caso a culpa tenha sido originada por uma atitude imprópria, procure reparar o quanto antes, peça perdão, conserte. E depois liberte a culpa e siga sua vida. Se a culpa quase sempre é uma farsa, decida-se viver em verdade.

Perdoai os que reclamam

Conviver com alguém que reclama demais não é nada fácil. Uma pessoa que enxerga problemas em tudo, que vive insatisfeita e mal humorada é um teste de paciência para quem está por perto. Ainda bem que paciência, bem como outros sentimentos nobres como empatia e compaixão, tem limites. Esses limites são úteis pois estabelecem uma zona de segurança contra o negativismo do chato que reclama. Afastar-se é outra opção tentadora. Mas qualquer atitude para defender-se do rabugento será interpretada por ele como falta de amor, deslealdade e até traição. E mais reclamações, queixas e críticas serão proferidas contra você, que tenta apenas salvar o próprio dia. Reclamar demais é uma atitude composta por uma pitada de egoismo, duas de confusão e três de dor. Acredite, quem muito se queixa está num estado de sofrimento, mesmo que não tenha consciência disso e o ato de reclamar é um jeito de desabafar. Alguns passam a vida reclamando e criticando, o que pode indicar uma doença crônica na alma, outros desenvolvem esse comportamento diante de um acontecimento angustiante e que não foi bem aceito. Estou vivendo um momento assim. Numa agradável manhã de sábado em São Paulo, uma caminhada foi interrompida num desnível imperceptível de uma calçada, que ocasiou uma torção de pé, e resultou numa fratura de tornozelo com rompimento de ligamentos. Simples assim, bobo assim. E já se vão 30 dias de fisioterapia, muletas, andador, o pé esquerdo sem tocar o chão e a rotina interrompida. E talvez venham outros 30 dias assim, ou mais, tudo dependerá do potencial curativo de meu corpo. Essa experiência me transformou na pessoa mais chata e reclamona que conheço. E mal humorada e baixo astral. Meus amigos me dizem : “mas você é muito mole, é apenas um pé quebrado !!” E eu explico que não foi o pé, foi o tornozelo e os ligamentos e que não posso andar etc. Na verdade, eu parei de dar explicações porque não vale a pena focar energia no problema. Simplesmente dou de ombros e admito :’sou mole sim’. E em seguida penso : ‘Rogério, será que é prá tanto mesmo ? Esse tipo de coisa acontece com muita gente o tempo todo e logo estará tudo bem. Pense em quem está passando por problemas realmente graves !’ Então sinto uma certa culpa, respiro profundamente  e tento me reequilibrar emocionalmente.  Mesmo estudando há muitos anos as ferramentas de cura espiritual, o poder dos pensamentos e a força das emoções, mesmo sabendo que a aceitação, o perdão e a gratidão são capazes de criar milagres, admito que conheci agora um lado frágil do meu ser. E talvez essa seja uma das lições desse acontecimento. Reconhecer a nossa vulnerabilidade nos faz mais humanos. Uma parada forçada na rotina nos oferece o tempo necessário para refletir sobre a própria vida. E entre dúvidas, dores e novas visões acontece um crescimento pessoal e espiritual. Resistir aos fatos é inútil e nos coloca no papel de vítimas, por outro lado, acolher com gratidão as coisas boas e as nem tão boas, nos liberta. Eu acredito que tudo que acontece tem um significado, e que a gente atrai todas as nossas experiências através do que pensamos,falamos, sentimos e acreditamos. Eu sou o único responsável por tudo que se manifesta em minha vida, e isso não é maldição, é benção. O que aconteceu naquela agradável manhã de sábado foi para o meu bem. Olhar com amor para o que vivenciamos é transformador. Posso ter ficado mais chato e reclamão diante de tudo isso, mas sei que estou mais consciente.

Política e cidadania

Já faz um bom tempo que a POLÍTICA nacional é destaque nas páginas POLICIAIS. Isso é ótimo pois revela um golpe na impunidade, criminalizando os poderosos que se consideram acima da lei. Mas um efeito colateral é a imagem que fica da própria política, a percepção negativa que a sociedade adota em relação à essa ciência de governança de uma Nação. A política é o meio pelo qual são atendidos os anseios dos cidadãos por saúde, educação, segurança, infraestrutra etc. Essa função social só não se cumpre quando agentes políticos fazem mau uso desse meio. E por que são tantos os corruptos eleitos ? Porque o eleitor não se interessa pelo tema, na verdade, são muitas as pessoas que batem no peito e dizem : ‘eu não quero saber de política, não gosto. Política é coisa de bandido !’ E assim os bandidos vão se perpetuando no poder eleitos por esses mesmos eleitores desavisados. Da mesma forma que não seria lógico condenar toda a medicina por culpa de médicos negligentes, não faz sentido enxovalhar a a arte política por causa dos políticos corruptos. É necessário limpar a política através do voto. Mas para isso é preciso que pessoas de bem assumam de fato o seu papel em prol das mudanças que tanto pregam. É fácil ficar reclamando do governo e da corrupção. Passa uma boa imagem demonstrar conhecimento sobre as etapas da Operação Lava Jato. Mas esse discurso bonito nada representa e a passividade só mantem as coisas como estão. E quem não ajuda à mudar, não tem o direito de reclamar depois.

Quando é difícil ajudar

São muitas as formas de lidar com problemas : enfrentando, fugindo ou abstraindo, por exemplo. Mas à essas atitudes, ou à falta delas, precede uma fase de introspecção, de distanciamento de tudo e de todos. É um período para organizar o mundo interior e entender melhor o que se passa do lado de fora. Reflexão é fundamental diante de problemas ou decisões que precisam ser tomadas. Mas aí mora o perigo. Você talvez conheça pessoas que diante de uma crise se isolam de tal forma que não se ajudam e nem aceitam ser ajudadas. Não ouvem sugestões, não falam o que sentem e não enxergam a saída. É como se entrassem num quarto escuro e se amarrassem aos velhos problemas, dormindo com eles, fazendo as pazes com eles. Fazendo as pazes com eles ? Sim, e a prova disso é perceber que quando deixam o seu estado de reclusão os problemas ainda estão lá, os mesmos, os de sempre. Não houve solução ou alívio, mas um conformismo nocivo. Foi uma decisão de não mudar, afinal é mais fácil conviver com as dores conhecidas do que buscar a felicidade que não se conhece. Dá muita vontade de ajudar quem se comporta (se sabota ?) assim, especialmente se for alguém que amamos, mas isso é bem complicado porque as tentativas de ajuda quase sempre são interpretadas como intromissão. O melhor é aceitar que cada um leva a vida do jeito que escolhe, mesmo que as escolhas sejam inconscientes. Quem nunca agiu de um jeito bem idiota só prá se arrepender mais tarde ? A escritora francesa do iluminismo, Madame de Stael, disse : ‘na vida você tem que escolher entre tédio e sofrimento’. Tem gente que escolhe os dois. Paciência.