No ano olímpico o Brasil já é ouro no desemprego

Recordes da incompetência :

– Número de desempregados no país sobe 41,5% em um ano, diz o IBGE,
– atualmente mais de 9 milhões de brasileiros estão desempregados,
– mais de 1 milhão e 100 mil trabalhadores com carteira assinada foram demitidos entre 2014 e 2015,
– o país perdeu 1,54 milhão de vagas de trabalho com carteira em 2015, pior resultado para um ano desde 1992, segundo o Ministério do Trabalho
– foram perdidos 533 mil postos de trabalho em um ano – vagas que não serão mais ocupadas, revela IBGE.

Bauru também assiste a essa triste evolução do desemprego na indústria, comércio, veículos de comunicação e setor de serviços.

O empresário demite porque está sufocado por uma política econômica engedrada por inergúmenos que estão no poder.

O ex-ministro Delfim Netto defende a tese que após as Olimpíadas o desemprego poderá resultar numa convulsão social que terá início no Rio de Janeiro, a Cidade Olímpica, qualificada por ele como ‘um caldeirão prestes a explodir’.

Números relacionados ao desemprego não podem esconder o drama pessoal e social que representam.  Em cada emprego perdido existe um ser humano que tem agredida sua dignidade e amor próprio. São famílias que se desestruturam. Surgem o medo, a insegurança e a revolta.

Medo, insegurança e revolta : a história ensina que quando esses três sentimentos são colocados em ação pela sociedade, as forças dominantes pouco podem fazer para evitar uma grande mudança.

Livre-se do lixo acumulado na sua vida

Diógenes de Sinope  foi um filósofo grego que ficou conhecido, entre outras coisas, por fazer da pobreza absoluta uma virtude. Foi um grande crítico dos que buscavam poder e riquezas, e uma de suas frases é emblemática dessa postura :

” Na casa de um rico não há lugar para se cuspir, a não ser em sua cara”.

Vivendo nas ruas ele acumulava objetivos encontrados no lixo, coisas sem nenhum valor, além de muitos cachorros pelos quais nutria especial admiração. Esse hábito acumulador do filósofo passou à denominar uma patologia, a ‘Síndrome de Diógenes’, que consiste na aquisição ou recolha de objetos de pouca ou nenhuma utilidade, muitas vezes já deixados no lixo por outras pessoas. Alguém que sofre de acumulação compulsiva vai juntando coisas inúteis, e delas não consegue se livrar. Então todos os cômodos da casa são tomados por pilhas de jornais velhos, revistas antigas, aparelhos eletrônicos que não funcionam, caixas vazias etc. É fácil imaginar o sofrimento que isso representa para a família e amigos. A maioria das pessoas que sofrem de acumulação compulsiva são mulheres maduras, mas a patologia tem se apresentado também em pacientes mais jovens. O problema é tão recorrente que existem programas de televisão que mostram o inferno em  que se transforma a vida de quem convive com um acumulador compulsivo

Eu me lembrei da história de Diógenes e na síndrome batizada com o seu nome quando pensava em como insistimos em guardar coisas sem valor. Refiro-me à situações, pessoas, idéias, lembranças, emoções e sentimentos completamente inúteis, aos quais nos apegamos sem nenhum sentido lógico. Veja o que acontece com histórias de relacionamentos. Você deve conhecer alguém que se apega com todas as forças à um relacionamento onde o amor acabou faz tempo – e só ela não percebeu – e do qual não recebe mais carinho, atenção e respeito. Mas ela não abre mão, insiste, guarda, acumula um relacionamento sem nenhum valor. Lixo puro, ocupando todos os cômodos da vida. Essa semana uma amiga me contou que terminou um relacionamento de sete anos, e passados nove meses ela ainda sofre, mas começa entender que é um sofrimento esquisito, já que se refere à perda de algo sem valor real. Hoje ela reconhece que nos últimos meses do namoro ela apenas se esforçava para convencer à si mesma que as coisas estavam bem, mesmo sentindo que havia alguma coisa errada, pois o namorado andava frio, irritado, indiferente. Ou seja, mesmo o relacionamento tendo se deteriorado, ela se apegava à ele como a grande missão de sua vida. Mas não teve jeito. Na véspera do Natal passado o presente do namorado foi um telefonema colocando um ponto final no romance. Frio assim, simples assim. O relacionamento era uma ilusão ao qual ela se agarrava, sem sentido, sem razão, mais um exemplo cruel de como nos sabotamos, nos reduzimos. Abraçamos o lixo em nossas vidas, e nem nos incomodamos com o mal cheiro.

E o que dizer das lembranças ? Aquelas que nos maltratam e que insistimos em reviver ?
E os sentimentos negativos que nos fazem crer que não merecemos o melhor e que os outros tem mais valor que nós ? Eles no fazem adoecer, vamos continuar acumulando-os ?
E as pessoas que só se alegram quando nos entristecem ? Por que mantê-las em nossa vida ?
E os empregos insatisfatórios e que pagam mal ? Por que se manter neles, quando podemos buscar algo melhor ?

Todos esses são exemplos de coisas sem valor que insistimos em guardar, e que só nos prejudicam. Qual o sentido em se apegar a isso ?

Já é hora de parar com esse comportamento. À partir do instante que tomamos conciência, podemos tomar atitude : vamos limpar nossa vida de todo lixo acumulado !!

Não é tarefa fácil, porque os aspectos negativos da perda são tão fortes em nossa cultura e causam tanta aflição que desenvolvemos o medo de perder até o que não tem valor, o que nos prejudica e nos prende. Mas o que está em jogo é viver bem uma vida sabidamente curta, então todo o esforço valerá a pena.

Comecei falando do filósofo Diógenes e vou terminar com um refrão de uma música bastante popular que na simplicidade de sua letra evoca a pureza de uma verdade : ‘nem tudo que se perde tem valor, nem tudo o que é bonito é amor’.

Pense nisso. E abra mão de qualquer lixo acumulado na sua vida. É lixo, não tem nenhum valor.

 

 

Você recusa coisas boas por achar que não merece ?

“Isso é muito caro prá mim.’
‘Isso é tão bom que nem sonho em ter’.
‘Isso seria maravilhoso, mas não vou nem me iludir com isso.’
‘Aquela pessoa jamais vai se interessar por mim. É muita areia para o meu caminhãozinho.’
‘Não quero nem ver porque sei que nunca vou conseguir comprar.’
‘Nem vou tentar aquela vaga de emprego porque sei que tem muita gente mais preparada do que eu.’

Reconhece essas frases ? Elas são familiares ?

A sensação de não merecimento nasce na infância, estimulada por tudo o que ouvimos, vimos e experimentamos. O não merecimento é uma crença altamente limitante que conduz ao fracasso, à insatisfação e às doenças. Quem acha não ser merecedor não tem objetivos, não prospera, não vive. Sua lógica destrutiva é mais ou menos essa :
‘Por que eu vou me esforçar se eu sei que não conseguirei ? Afinal, eu não mereço mesmo, é melhor deixar prá lá.’ E a pessoa vai deixando tudo prá lá : relacionamentos, carreira, família, saúde, uma vida satisfatória, Deus, enfim, tudo. Aos olhos dos outros ela pode ser vista como indolente, desinteressada, egoista e preguiçosa. Aos seus próprios olhos sente-se refém de uma situação que não consegue identificar, reconhece que algo não funciona bem dentro de si – principalmente quando se compara com pessoas da mesma idade e origem que progridem na vida pessoal e profissional – mas não sabe qual o problema. Isso ocorre porque o sentimento de não merecimento está confortavelmente instalado no inconsciente e para acessar esse lugar desconhecido e que exerce total controle sobre nossos comportamentos é preciso muito esforço. Acreditar não ser merecedor das abundantes provisões da vida é uma crença limitante, e a boa notícia é que é possível desconstruí-la. Como ? Uma opção é buscar ajuda profissional, e você também pode utilizar a sua força interior; uma escolha não elimina a outra. Para o trabalho interior utilize essas ferramentas comprovadamente eficazes.

1 – Escreva. Coloque num papel os motivos que, a seu ver, justificam a sua percepção de não merecer o que é ótimo. Escrever sobre os sentimentos é uma forma de tirá-los do coração e poder encará-los. Muitas vezes a folha se completa, em outras, poucas linhas trazem um esclarecimento. Leia com atenção e depois pique a folha em centenas de pedacinhos.

2 – Questione. Quando surgir a idéia de que aquele emprego, aquele carro, aquela roupa, aquela pessoa não são para você porque representam conquistas ótimas, pergunte-se : ‘Mas por que não são para mim ? Quem foi que disse isso ? O que vai acontecer de ruim se eu ao menos tentar ?’ Esse questionamento fará você pensar de um jeito diferente.

3 – Escreva novamente. Só que agora você vai escrever o que adoraria ter, ser e fazer. Escreva sobre bens materiais, experiências, emoções. Escreva sem medo de se comprometer. Escreva sem medo de estar cometendo um pecado, porque você não está ! Guarde a folha.

4 – Afirme. Afirmações positivas são frases que, utilizadas repetidamente, tem o poder de alcançar o inconsciente, substituindo crenças limitantes. A idéia é bastante simples : repetindo torna-se verdade para você, sendo verdade você acredita e assim substitui as crenças antigas. Você muda os seus pensamentos. A americana Louise Hay, que há mais de 30 anos ensina e comprova os resultados gloriosos das afirmações positivas, sugere algumas para você repetir várias vezes ao dia, em voz alta ou mentalmente :

‘Abro os braços e declaro com amor que mereço e aceito todo o bem’.
‘Sou merecedor/a. Mereço tudo o que é bom. Não uma parte, não um pouquinho, mas tudo o que é bom’.
‘Agora, afasto de mim todos os pensamentos negativos e restritivos. Liberto e deixo ir minhas limitações’.
‘Mereço uma vida boa. Mereço amor em abundância’.

5 – Ore. Peça para Deus tirar do seu coração o sentimento de não merecimento.  Diga que você reconhece e aceita todas as bençãos que Ele tem para você. E comprometa-se a viver plenamente.

Faça esse processo diariamente, e mesmo que você não acredite que vai dar certo permita-se experimentar, vai valer a pena. Afinal, você sabe o quanto machuca o sentimento de se colocar à margem para os outros passarem. Eu sei muito bem o que é isso porque vivi assim boa parte da minha vida. Achava que não merecia as coisas boas, que o melhor pedaço deveria ser dos outros, que eu devia me contentar com pouco, e se eu quisesse mais poderia irritar alguém. Passei anos me satisfazendo com migalhas enquanto olhava o banquete de oportunidades que a vida oferece. Mas deixarei os detalhes dessa minha história para outro post. As ferramentas de cura interior que eu mencionei acima tem me ajudado bastante, e já tive apoio profissional. E um insight foi decisivo para eu buscar ajuda nessa questão. Um dia, enquanto meditava, ocorreu-me que por negar a plenitude da vida, eu estava sendo ingrato com Deus ! Sim, porque se Ele me abençoa tão ricamente – e abençoa à todos – e deseja que eu tome posse de bençãos, como é que eu vou recusar por conta de minhas crenças limitantes ? Não posso. Precisava me curar urgentemente. Aprendi que somos dotados de um arsenal interior capaz de criar milagres, e quis conhecê-los e utilizá-los. Hoje estou mais consciente de que a abudância está disponível para todos, inclusive para mim. Ainda me esforço diáriamente para desenvolver crenças de merecimento, e sinto a felicidade de viver mais plenamente e em total gratidão.

Thich Nhat Hanh – O monge budista faz 89 anos

 

Pregar que o amor e a compaixão são os remédios mais eficazes para os males do mundo pode soar ingênuo nos dias de hoje.

Ensinar que viver no momento presente é a única forma de enfrentar os sofrimentos e que a meditação é o caminho que conduz a esse estágio talvez desperte a desconfiança de muita gente.

Mas é com esses ensinamentos que o monge Thich Nhat Hanh se tornou uma das principais vozes da espiritualidade em todo o mundo. E não é só isso.

Nascido no Vietnã em 11 de outubro de 1924, Thich Nhat Hanh é o maior nome do ‘budismo engajado’, idéia que consiste em aplicar os ensinamentos budistas nas questões cotidianas como a política, relacionamentos, autoconhecimento e gestão das emoções e pensamentos. Aqui tem um artigo com os 14 preceitos do budismo engajado. O monge defende que as práticas budistas não devem se resumir aos monastérios, mas devem estar presentes no cotidiano sob a forma de buscar o entendimento, reduzir o sofrimento, preservar o meio ambiente e se envolver pela paz. Esse conceito permitiu que o budismo fosse visto como algo mais familiar aos olhos do Ocidente, que também entendeu que a meditação pode ser feita andando, ao dirigir um carro ou durante as atividades domésticas e profissionais. Na verdade, Thich Nha ensina que todo trabalho alcança melhores resultados quando é feito com atenção plena, uma forma de estar desperto no momento presente.

Os textos de Thich Nha Hanh são um deleite para a alma. Simples, diretos e práticos trazem uma forma especial de tratar de questões essenciais. Esse é um trecho de um artigo que fala sobre o amor :

‘Em um relacionamento profundo, não há mais um limite entre você e a outra pessoa. Ela está com você e ela é você. Seu sofrimento é o sofrimento dela. Sua compreensão do seu próprio sofrimento ajuda sua amada a sofrer menos. Sofrimento e felicidade não são mais questões individuais. O que acontece com o seu amado acontece com você. O que acontece com você acontece ao seu amado’.

Aqui ele fala sobre a diferença entre paixão e amor :

‘Muitas vezes temos paixão por alguém, não porque nós o amamos e compreendemos, mas apenas para nos distrair de nosso próprio sofrimento. Quando aprendemos a amar e entender a nós mesmos e desenvolvemos a verdadeira compaixão por nós mesmos, então podemos realmente amar e compreender a outra pessoa’.

Sobre a responsabilidade individual em fazer o bem :

‘A essência da bondade amorosa é ser capaz de oferecer felicidade. Você pode ser a luz do sol para alguém, ms você não poderá dar felicidade até que você mesmo seja feliz. Então, construir um lar interior significa aceitar a si mesmo e aprender amar-se e curar-se. Aprenda a praticar a plena consciência de tal forma que você possa criar momentos de felicidade e alegria para o seu próprio nutrir. Então você terá algo a ofercer a outra pessoa’.

Sobre a felicidade dos filhos :

“Se nossos pais não se amam e não se entendem, como é que vamos saber o que o amor parece?  A herança mais preciosa que os pais podem dar aos filhos é sua própria felicidade. Nossos pais podem ser capazes de nos deixar dinheiro, casas e terras, mas eles podem não ser pessoas felizes. Se tivermos pais felizes, teremos recebido a herança mais rica de todas”.

Você sabia que o budismo toca em assuntos tão triviais e fundamentais para todos nós ? Esse é o mérito de Thich Nhat Hanh : mostrar como uma sabedoria milenar nos ajuda em pleno século 21.

Eu sou leitor apaixonado das reflexões do monge há muitos anos.

Existem vários livros dele editados no Brasil, destaque para : ‘Vivendo em Paz’, ‘A Arte do Poder’, ‘Caminhos Para a Paz Interior’ e ‘Medo’, lançado em 2014.

O blog Sanga Virtual traz artigos do monge.

No site da Monja Coen, um artigo sobre ‘o suave monge do Vietnã’.

E como hoje é aniversário de 89 anos de Thich Nhat Hanh, desejo de todo o coração que a sua luz continue iluminando o amor, a paz e a compreensão no mundo.

Depois dos 50

Depois dos 50 anos de idade vamos nos livrando de certos pesos nas costas. Tiramos da mochila o peso da vaidade e o da critica fácil, o fardo de ter razão em tudo e o de buscar aprovação alheia. Entendemos que a noção de certo e errado depende de cada pessoa e isso deve ser respeitado, então, deixamos de lado as regras que ensinam coisas do tipo ‘como convencer o outro’ ou ‘como conseguir tudo o que você quer’. Porque nessa fase a gente quer mesmo é viver em paz. E dinheiro, viagens, noites de sono tranquilas, encontros com amigos, e queremos que nos queiram. O que mudou é que queremos ao nosso lado não mais quem nos escolheu, e sim, as pessoas que escolhemos. Isso explica porque depois dos 50 muitos relacionamentos, já desgastados, chegam ao fim, sejam relacionamentos de amizade ou amorosos. Há poucos anos era comum chamar de ‘velho sem vergonha’ o cinquentão que saiu de um casamento e buscava um novo relacionamento. Sempre achei esse tipo de comentário pura maldade, fosse direcionado para um homem ou uma mulher. E hoje eu entendo que quem age assim é de fato um velho sem vergonha…sem vergonha de ser feliz, de buscar os sonhos que não envelheceram, de empreender a significativa jornada rumo ao seu direito de ser quem nasceu para ser. Essa guinada acontece também no aspecto profissional. Não são poucos os homens nessa idade que decidem parar de trabalhar para um chefe ou empresário idiota, em ambientes tóxicos, ao lado de jovens colegas já contaminados pelas práticas de gestão autoritária do parvo de plantão, e partem para novas empreitadas cujo destino é a realização pessoal através do trabalho. Essa viagem muitas vezes é para dentro de si mesmos ao encontro de tesouros inexplorados, talentos e habilidades que eram vistas apenas como hobbies – cozinhar, escrever, ensinar, tocar um instrumento, palestrar – e que agora podem se transformar numa profissão rentável e verdadeiramente satisfatória. E sem um inepto ao lado para dar ordens. A consciência de valorizar o bem estar engloba cuidar mais da saúde física e também da emocional, e isso se reflete numa postura menos crítica e de maior aceitação dos acontecimentos. Claro que nem tudo são flores, principalmente para aqueles que, ao sentirem a chegada dos anos se revoltam, algumas vezes ficando irritadiços, outras vezes, rabugentos. Porque a chegada dos 50 anos tem diferentes significados para cada homem, isso depende do interesse ou não de buscar o autoconhecimento. Para mim tem sido positivo e minha família por vezes estranha essa fase mais zen. Dia desses minha mulher reclamou do meu recém conquistado equilíbrio diante de certos acontecimentos do cotidiano que para ela são estressantes. Eu respondi que depois dos 50 a gente se surpreende menos com as atitudes negativas dos outros e com os desandos desse mundo, e acho que isso ocorre por dois motivos. Primeiro : estamos relativamente calejados. Segundo : desenvolvemos a humildade de reconhecer nossos limites e nossa capacidade de agir. Em outras palavras, se não está em nosso raio de influência e ação é melhor aceitar as coisas como são. E nada a ver com frieza ou depressão, pois a capacidade de se emocionar está presente, e até já aprendemos que homem pode chorar sim. Percebo que minha filha também anda desconfiada com a minha postura menos crítica, mais compreensiva, leve e serena; cabeça boa para criar filhos é essa de agora, e se já estão criados, pelo menos é possível apoiá-los com um amor sem reservas. E ensiná-los a sonhar os grandes sonhos, como acreditar num país mais justo e um mundo sem guerras, acreditar que a meditação, as boas palavras e os bons pensamentos criam realidades impregnadas de um amor capaz de envolver toda a humanidade; acreditar que a música, os livros e as artes são transformadores, e que tudo é possível desde que tenhamos fé e coragem de ser quem somos, e o que importa é ser. Sonhos impossíveis que nos fazem possíveis. Porque depois dos 50 aprendemos a sonhar os sonhos que nos fazem recomeçar, acreditar e seguir em frente.

Hoje eu completo 53 anos de idade e tenho me esforçado para me livrar daqueles pesos inúteis que insistem em preencher a mochila da vida. Esse é um processo gradual, felizmente. Porque na busca de suavizar a carga eu vou me conhecendo e reconhecendo. Ainda trago meus pesos, mas uma leveza inebriante já me permite sentir a felicidade de poder voar cada vez mais alto.