Livre-se do lixo acumulado na sua vida

Diógenes de Sinope  foi um filósofo grego que ficou conhecido, entre outras coisas, por fazer da pobreza absoluta uma virtude. Foi um grande crítico dos que buscavam poder e riquezas, e uma de suas frases é emblemática dessa postura :

” Na casa de um rico não há lugar para se cuspir, a não ser em sua cara”.

Vivendo nas ruas ele acumulava objetivos encontrados no lixo, coisas sem nenhum valor, além de muitos cachorros pelos quais nutria especial admiração. Esse hábito acumulador do filósofo passou à denominar uma patologia, a ‘Síndrome de Diógenes’, que consiste na aquisição ou recolha de objetos de pouca ou nenhuma utilidade, muitas vezes já deixados no lixo por outras pessoas. Alguém que sofre de acumulação compulsiva vai juntando coisas inúteis, e delas não consegue se livrar. Então todos os cômodos da casa são tomados por pilhas de jornais velhos, revistas antigas, aparelhos eletrônicos que não funcionam, caixas vazias etc. É fácil imaginar o sofrimento que isso representa para a família e amigos. A maioria das pessoas que sofrem de acumulação compulsiva são mulheres maduras, mas a patologia tem se apresentado também em pacientes mais jovens. O problema é tão recorrente que existem programas de televisão que mostram o inferno em  que se transforma a vida de quem convive com um acumulador compulsivo

Eu me lembrei da história de Diógenes e na síndrome batizada com o seu nome quando pensava em como insistimos em guardar coisas sem valor. Refiro-me à situações, pessoas, idéias, lembranças, emoções e sentimentos completamente inúteis, aos quais nos apegamos sem nenhum sentido lógico. Veja o que acontece com histórias de relacionamentos. Você deve conhecer alguém que se apega com todas as forças à um relacionamento onde o amor acabou faz tempo – e só ela não percebeu – e do qual não recebe mais carinho, atenção e respeito. Mas ela não abre mão, insiste, guarda, acumula um relacionamento sem nenhum valor. Lixo puro, ocupando todos os cômodos da vida. Essa semana uma amiga me contou que terminou um relacionamento de sete anos, e passados nove meses ela ainda sofre, mas começa entender que é um sofrimento esquisito, já que se refere à perda de algo sem valor real. Hoje ela reconhece que nos últimos meses do namoro ela apenas se esforçava para convencer à si mesma que as coisas estavam bem, mesmo sentindo que havia alguma coisa errada, pois o namorado andava frio, irritado, indiferente. Ou seja, mesmo o relacionamento tendo se deteriorado, ela se apegava à ele como a grande missão de sua vida. Mas não teve jeito. Na véspera do Natal passado o presente do namorado foi um telefonema colocando um ponto final no romance. Frio assim, simples assim. O relacionamento era uma ilusão ao qual ela se agarrava, sem sentido, sem razão, mais um exemplo cruel de como nos sabotamos, nos reduzimos. Abraçamos o lixo em nossas vidas, e nem nos incomodamos com o mal cheiro.

E o que dizer das lembranças ? Aquelas que nos maltratam e que insistimos em reviver ?
E os sentimentos negativos que nos fazem crer que não merecemos o melhor e que os outros tem mais valor que nós ? Eles no fazem adoecer, vamos continuar acumulando-os ?
E as pessoas que só se alegram quando nos entristecem ? Por que mantê-las em nossa vida ?
E os empregos insatisfatórios e que pagam mal ? Por que se manter neles, quando podemos buscar algo melhor ?

Todos esses são exemplos de coisas sem valor que insistimos em guardar, e que só nos prejudicam. Qual o sentido em se apegar a isso ?

Já é hora de parar com esse comportamento. À partir do instante que tomamos conciência, podemos tomar atitude : vamos limpar nossa vida de todo lixo acumulado !!

Não é tarefa fácil, porque os aspectos negativos da perda são tão fortes em nossa cultura e causam tanta aflição que desenvolvemos o medo de perder até o que não tem valor, o que nos prejudica e nos prende. Mas o que está em jogo é viver bem uma vida sabidamente curta, então todo o esforço valerá a pena.

Comecei falando do filósofo Diógenes e vou terminar com um refrão de uma música bastante popular que na simplicidade de sua letra evoca a pureza de uma verdade : ‘nem tudo que se perde tem valor, nem tudo o que é bonito é amor’.

Pense nisso. E abra mão de qualquer lixo acumulado na sua vida. É lixo, não tem nenhum valor.

 

 

Autor: Rogério Franco

Radialista, jornalista, publicitário, escritor e palestrante.

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