Thich Nhat Hanh – O monge budista faz 89 anos

 

Pregar que o amor e a compaixão são os remédios mais eficazes para os males do mundo pode soar ingênuo nos dias de hoje.

Ensinar que viver no momento presente é a única forma de enfrentar os sofrimentos e que a meditação é o caminho que conduz a esse estágio talvez desperte a desconfiança de muita gente.

Mas é com esses ensinamentos que o monge Thich Nhat Hanh se tornou uma das principais vozes da espiritualidade em todo o mundo. E não é só isso.

Nascido no Vietnã em 11 de outubro de 1924, Thich Nhat Hanh é o maior nome do ‘budismo engajado’, idéia que consiste em aplicar os ensinamentos budistas nas questões cotidianas como a política, relacionamentos, autoconhecimento e gestão das emoções e pensamentos. Aqui tem um artigo com os 14 preceitos do budismo engajado. O monge defende que as práticas budistas não devem se resumir aos monastérios, mas devem estar presentes no cotidiano sob a forma de buscar o entendimento, reduzir o sofrimento, preservar o meio ambiente e se envolver pela paz. Esse conceito permitiu que o budismo fosse visto como algo mais familiar aos olhos do Ocidente, que também entendeu que a meditação pode ser feita andando, ao dirigir um carro ou durante as atividades domésticas e profissionais. Na verdade, Thich Nha ensina que todo trabalho alcança melhores resultados quando é feito com atenção plena, uma forma de estar desperto no momento presente.

Os textos de Thich Nha Hanh são um deleite para a alma. Simples, diretos e práticos trazem uma forma especial de tratar de questões essenciais. Esse é um trecho de um artigo que fala sobre o amor :

‘Em um relacionamento profundo, não há mais um limite entre você e a outra pessoa. Ela está com você e ela é você. Seu sofrimento é o sofrimento dela. Sua compreensão do seu próprio sofrimento ajuda sua amada a sofrer menos. Sofrimento e felicidade não são mais questões individuais. O que acontece com o seu amado acontece com você. O que acontece com você acontece ao seu amado’.

Aqui ele fala sobre a diferença entre paixão e amor :

‘Muitas vezes temos paixão por alguém, não porque nós o amamos e compreendemos, mas apenas para nos distrair de nosso próprio sofrimento. Quando aprendemos a amar e entender a nós mesmos e desenvolvemos a verdadeira compaixão por nós mesmos, então podemos realmente amar e compreender a outra pessoa’.

Sobre a responsabilidade individual em fazer o bem :

‘A essência da bondade amorosa é ser capaz de oferecer felicidade. Você pode ser a luz do sol para alguém, ms você não poderá dar felicidade até que você mesmo seja feliz. Então, construir um lar interior significa aceitar a si mesmo e aprender amar-se e curar-se. Aprenda a praticar a plena consciência de tal forma que você possa criar momentos de felicidade e alegria para o seu próprio nutrir. Então você terá algo a ofercer a outra pessoa’.

Sobre a felicidade dos filhos :

“Se nossos pais não se amam e não se entendem, como é que vamos saber o que o amor parece?  A herança mais preciosa que os pais podem dar aos filhos é sua própria felicidade. Nossos pais podem ser capazes de nos deixar dinheiro, casas e terras, mas eles podem não ser pessoas felizes. Se tivermos pais felizes, teremos recebido a herança mais rica de todas”.

Você sabia que o budismo toca em assuntos tão triviais e fundamentais para todos nós ? Esse é o mérito de Thich Nhat Hanh : mostrar como uma sabedoria milenar nos ajuda em pleno século 21.

Eu sou leitor apaixonado das reflexões do monge há muitos anos.

Existem vários livros dele editados no Brasil, destaque para : ‘Vivendo em Paz’, ‘A Arte do Poder’, ‘Caminhos Para a Paz Interior’ e ‘Medo’, lançado em 2014.

O blog Sanga Virtual traz artigos do monge.

No site da Monja Coen, um artigo sobre ‘o suave monge do Vietnã’.

E como hoje é aniversário de 89 anos de Thich Nhat Hanh, desejo de todo o coração que a sua luz continue iluminando o amor, a paz e a compreensão no mundo.

Autor: Rogério Franco

Radialista, jornalista, publicitário, escritor e palestrante.

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