Política e cidadania

Já faz um bom tempo que a POLÍTICA nacional é destaque nas páginas POLICIAIS. Isso é ótimo pois revela um golpe na impunidade, criminalizando os poderosos que se consideram acima da lei. Mas um efeito colateral é a imagem que fica da própria política, a percepção negativa que a sociedade adota em relação à essa ciência de governança de uma Nação. A política é o meio pelo qual são atendidos os anseios dos cidadãos por saúde, educação, segurança, infraestrutra etc. Essa função social só não se cumpre quando agentes políticos fazem mau uso desse meio. E por que são tantos os corruptos eleitos ? Porque o eleitor não se interessa pelo tema, na verdade, são muitas as pessoas que batem no peito e dizem : ‘eu não quero saber de política, não gosto. Política é coisa de bandido !’ E assim os bandidos vão se perpetuando no poder eleitos por esses mesmos eleitores desavisados. Da mesma forma que não seria lógico condenar toda a medicina por culpa de médicos negligentes, não faz sentido enxovalhar a a arte política por causa dos políticos corruptos. É necessário limpar a política através do voto. Mas para isso é preciso que pessoas de bem assumam de fato o seu papel em prol das mudanças que tanto pregam. É fácil ficar reclamando do governo e da corrupção. Passa uma boa imagem demonstrar conhecimento sobre as etapas da Operação Lava Jato. Mas esse discurso bonito nada representa e a passividade só mantem as coisas como estão. E quem não ajuda à mudar, não tem o direito de reclamar depois.

Quando é difícil ajudar

São muitas as formas de lidar com problemas : enfrentando, fugindo ou abstraindo, por exemplo. Mas à essas atitudes, ou à falta delas, precede uma fase de introspecção, de distanciamento de tudo e de todos. É um período para organizar o mundo interior e entender melhor o que se passa do lado de fora. Reflexão é fundamental diante de problemas ou decisões que precisam ser tomadas. Mas aí mora o perigo. Você talvez conheça pessoas que diante de uma crise se isolam de tal forma que não se ajudam e nem aceitam ser ajudadas. Não ouvem sugestões, não falam o que sentem e não enxergam a saída. É como se entrassem num quarto escuro e se amarrassem aos velhos problemas, dormindo com eles, fazendo as pazes com eles. Fazendo as pazes com eles ? Sim, e a prova disso é perceber que quando deixam o seu estado de reclusão os problemas ainda estão lá, os mesmos, os de sempre. Não houve solução ou alívio, mas um conformismo nocivo. Foi uma decisão de não mudar, afinal é mais fácil conviver com as dores conhecidas do que buscar a felicidade que não se conhece. Dá muita vontade de ajudar quem se comporta (se sabota ?) assim, especialmente se for alguém que amamos, mas isso é bem complicado porque as tentativas de ajuda quase sempre são interpretadas como intromissão. O melhor é aceitar que cada um leva a vida do jeito que escolhe, mesmo que as escolhas sejam inconscientes. Quem nunca agiu de um jeito bem idiota só prá se arrepender mais tarde ? A escritora francesa do iluminismo, Madame de Stael, disse : ‘na vida você tem que escolher entre tédio e sofrimento’. Tem gente que escolhe os dois. Paciência.