Momentos completos

Os bons momentos não são eternos, mas podem ser completos, então é preciso vivê-los intensamente. No amor, na convivência com os filhos ou amigos, o que faz um relacionamento ser satisfatório é ser vivido de forma completa. É uma experiência de entrega consciente. Um dia esses relacionamentos serão lembrados com arrependimento ou alegria, dependendo se foram superficiais ou baseados na força do amor e da cumplicidade. O curioso é que parece mais fácil viver completamente os problemas e as tristezas, do que as alegrias e os prazeres. A gente coloca mais foco na dor do que no amor. Um amigo me falou que se lembra apenas dos momentos ruins na sua vida, e não dos bons. Acho que um dos principais motivos é que fomos programados para aceitar e carregar o fardo do sofrimento; sentir a leveza da alegria beira o pecado. Sabe aquele remorso que vem impiedosamente quando vemos que nossos filhos cresceram, um relacionamento acabou ou perdemos alguém muito querido para a morte ? Nos sentimos mal porque pensamos que poderíamos ter feito melhor, poderíamos ter vivido e aproveitado mais a companhia dessas pessoas. Em outras palavras : poderíamos ter sido mais completos com elas. É maravilhoso despertar para esse fato e optar viver completamente os momentos quando estamos com as pessoas que amamos, como nossos filhos, pais e amigos. O contato com elas deve ser olho no olho, sem a interferência da tv, do computador ou do smartphone. Poucas coisas tem valor verdadeiro, e essas precisam ser vividas em sua inteireza. Saudade boa vem do que vivemos completamente, saudade doída é a que fica do que foi incompleto.

Autor: Rogério Franco

Radialista, jornalista, publicitário, escritor e palestrante.

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