A dor do outro e a nossa

É como se tivéssemos perdido alguém parecido com um amigo ou um filho. Alguém parecido à quem fomos no passado, com os sonhos que já tivemos, a alegria que queríamos ter, o brilho no olhar que talvez não tenhamos mais. A tragédia de Santa Maria revelou mais uma vez como sofremos com as dores que atingem quem não conhecemos. Além da empatia e do amor ao próximo, isso acontece porque imaginamos que aquele mal poderia ter acontecido com a gente ou com quem amamos. Apesar das diferenças e das particularidades que nos fazem únicos como indivíduos, a verdade é que somos todos muito iguais e estamos conectados por um fio invisível e divino, e tal como espelhos, nos enxergamos na existência do outro. A quantidade de vítimas dessa tragédia é chocante, bem como a maneira como ocorreu. Quem é jovem não deveria morrer nunca, muito menos durante uma festa. À distancia, resta-nos orar e pedir para que Deus acalente as vítimas e seus familiares. Acho que todos nós pensamos no sofrimento dessas famílias, e uma das notícias da tragédia é um fragmento dessa dor : um bombeiro localizou o celular de uma das vítimas fatais que tinha 141 chamadas perdidas de ‘MÃE’. A fumaça que asfixiou a maioria daqueles jovens e transformou em cinza os seus sonhos, ainda vai queimar por muito tempo no coração e nas lembranças de todos nós.