O chefe

Ele não confiava em ninguém. Para ele, os filhos seriam incapazes de assumir responsabilidades, os funcionários eram mal intencionados, os colegas, interesseiros. Sua rotina era procurar problemas, quando não encontrava, inventava problemas. Seu objetivo era achar culpados, se não achava, elegia os culpados. A paz o sufocava, o conflito lhe dava poder. Fofocas, mentiras e manipulações eram as suas práticas diárias. Não sabia somar, apenas dividir. Gostava de aduladores. Vivia das glórias do passado, pois perdera a capacidade de realizar no presente. Destruiu a família, quebrou a empresa, afastou os colegas. Inspirou o mal por onde passou. Jogou a responsabilidade nas costas de Deus. Infeliz e desorientado, sempre se considerou um homem de visão e preparado, justo e espiritualizado. Francis Bacon tem uma frase que descreve perfeitamente esse tipo de gente, tão comum em cargos de comando nas empresas : “O mau, quando se finge de bom, é péssimo”.

Pare de demonstrar fraqueza

Pessoas tímidas e pouco articuladas desenvolvem um método natural para interagir socialmente : mostram-se fracas. Porque dessa forma elas não são vistas como concorrentes ou adversárias de ninguém, não são colocadas na berlinda e sim esquecidas num canto como se fossem um vaso de samambaias. Fingem-se de desinformadas e até de incompetentes apenas para não despertar a inveja alheia, principalmente no trabalho. E assim, fora da visão e da atenção, elas vão levando a vida, em paz com todo mundo, se esforçando para agradar os outros e abrindo mão dos próprios sonhos. O perigo é que de tanto se fazer de fraca, a pessoa passa à acreditar nisso, e assim, pouco conseguirá na vida. O melhor é aprender à defender-se do que fingir-se de fraco, é mais importante vencer o medo e se mostrar, do que viver o papel de bonzinho frustrado, mesmo que isso signifique conflitos e enfrentamentos. Escolher as migalhas da fraqueza quando se pode usufruir do banquete de ter orgulho de si próprio, é uma maneira pouco inteligente de passar pela vida, e a forma mais evidente de negar a própria capacidade de ser feliz.

Pessoas e empresas Titanic

O dia 14 de abril marcou o centenário da tragédia ocorrida com o Titanic, que deixou mais de 1.500 mortos. O navio apresentado na época como ‘inafundável’, não concluiu sequer a sua primeira viagem. Fico pensando que esse evento possibilita muitas analogias. Existem pessoas que se acham Titanic, divulgam com orgulho suas façanhas pessoais e profissionais, e até encantam num primeiro momento, mas logo depois afundam nas águas geladas dos próprios exageros e despreparo. E existem empresas Titanic, que apesar de grande aparato tecnológico e estrutura, falham em aspectos básicos. Pode ser que não atendam bem seus clientes ou que sua equipe não esteja atenta aos movimentos do mercado, da mesma forma que no passado faltaram botes salva-vidas para os passageiros e a tripulação percebeu os icebergs quando já não havia mais tempo de evitá-los. Normalmente essas empresas tem à frente um empresário com o perfil do Comandante Edward J. Smith, oficial do Titanic, um profissional experiente mas extremamente arrogante. É bom também tomar cuidado com propaganda enganosa : alguns meses antes da viagem inicial, dizia-se que de tão seguro, nem Deus afundaria o Titanic. Deu no que deu. Se você trabalha numa empresa Titanic, onde a equipe e a direção prezam pela arrogância e despreparo, é melhor ir pensando em mudar de barco : os icebergs em breve aparecerão pelo caminho.

Nem todo mundo quer mudanças

Falar em mudanças é fácil. Todo mundo diz que quer mudar de vida, de emprego, de atitudes etc. Mas tomar a decisão de mudar é muito mais difícil. Sabe por que ? Porque existe o medo do novo, e muitas vezes escolhe-se manter o antigo, apesar de não ser legal, do que dar de cara com uma situação diferente, mesmo que seja melhor. Outro medo é de que a mudança signifique perdas. Na verdade qualquer mudança exige uma troca : abro mão disso para ter aquilo. E muitas vezes a tendência é se agarrar ao que não tem mais nenhum valor, apenas por um sentido equivocado de posse. Falar em mudanças é mesmo muito fácil, mas sair da zona de conforto é mais complicado. Então, muita gente prefere continuar na cama quente, conhecida e repleta de espinhos, ou trancadinha numa gaiolinha, que pode até ser de ouro, mas não deixa de ser uma gaiolinha. Quem só reclama sem dar um passo, certamente tem ganhos secundários na situação em que vive ou acredita que a vida não tem mesmo nenhum sentido. Gostaria então de pedir aos que reclamam da vida mas não fazem nada para mudar, que reclamem longe de mim. Porque por perto, eu quero apenas pessoas positivas, que acreditam que podem operar mudanças significativas em suas vidas, e que de fato, fazem isso !

Um restaurante histórico nos Alpes

Um restaurante nos Alpes foi um dos lugares mais incríveis que conheci nessa viagem. Fundado em 1666, o Scharitzkehlalm serve uma cerveja de trigo de altíssima qualidade que é produzida há mais de 200 anos. O ambiente quente e acolhedor se contrasta com a neve que toma conta da região nessa época do ano, e que no verão é substituída pelo verde das muitas árvores e plantas. Sim, a comida é deliciosa. E mais um pouco de história : esse restaurante localizado em Berchtesgadener era o preferido de Adolf Hitler, pela proximidade com sua casa nos Alpes.