29 de fevereiro

Uma data que ocorre à cada quatro anos pode ser tomada como uma referência na vida. É o único dia que não se mostra todos os anos no calendário. Quem nasce em 29 de fevereiro acostumou-se à comemorar o aniversário numa data ‘genérica’. Para alguns, esse 29 atrai movimentos místicos e mágicos. Seja como for, é uma data que permite uma reflexão. Como estava a sua vida em fevereiro de 2008, o anterior ano bissexto ? Na comparação, como está sua vida hoje ? Nesses quatro anos, você esteve no controle da sua vida ou nem viu o que aconteceu ? Construiu algo de valor ? Transformou-se numa pessoa melhor ? E o mais importante : como estará a sua vida no próximo ano bissexto, em 2016 ? Na verdade, a pergunta de ouro é : como você deseja estar em quatro anos ? Essa resposta será a sua bússola. Depois, registre esses objetivos, e no dia 29 de fevereiro de 2016 faça um check-list para avaliar se você realmente se comprometeu com os seus sonhos. Eu espero que naquele dia você se emocione ao perceber que sim, você viveu a sua verdade e construiu uma vida abençoada !

Você de verdade

Quero propor um exercício muito difícil : imagine-se sem o seu trabalho, seu cargo, seu passado, sua família, sua religião, seu carro, sua casa, seu dinheiro, suas roupas. Sobrou alguma coisa ? Ao serem retiradas todas essas camadas que representam papéis sociais, bens materiais e crenças, deveria emergir um ser humano verdadeiro, com seus valores, princípios e consciência, ou seja, quem você realmente é. Se não sobrou nada de você ali, é preciso dar mais atenção à sua essência, tentar descobri-la e ter a coragem de vivê-la. Viver em função das pessoas, papéis e situações do cotidiano não significa viver o que você de fato é. Faça esse exercício diariamente em busca do seu verdadeiro eu. Encontrá-lo poderá mudar a sua vida.

Fim de semana

Eu espero pelo fim de semana com planos e idéias para fugir da rotina.
Chega o sábado. Eu trabalho e depois vou fazer o que não tive tempo durante a semana, ou seja : mais trabalho.
Aí na noite de sábado eu estou sem energia para sair e me divertir.
Manhã de domingo : chateado porque o sábado passou e eu nem ví.
Domingo à tarde penso na segunda-feira, domingo à noite já sofro com ela.
Sabe aqueles planos e idéias para fugir da rotina ?
Ficaram para o próximo fim de semana. De novo.

O ano já havia começado

O ditado popular afirma que “o ano só começa depois do carnaval”. Se você concorda com isso, Feliz 2012 ! Mas eu discordo. O ano não fecha para balanço de janeiro até o carnaval. Tudo continua acontecendo : amores começam e terminam, pessoas nascem e morrem, a gente sorri e chora, o dinheiro circula e quase a totalidade das empresas funciona normalmente. O ritmo pode ser diferente, mas o movimento é contínuo. Tem gente que sai de férias e tem gente que trabalha. Antes do carnaval o IPVA já foi cobrado, as matrículas nas escolas efetivadas. O comércio vendeu e os consumidores se endividaram mais um pouco. Já tivemos tempo de nos arrepender dos excessos do final de ano e de fazermos planos para o ano novo. Por falar nisso, você ainda se lembra das promessas feitas para 2012 ? Já começou à colocar em prática algumas delas ? Eu acho que essa história de que o ano só começa depois do carnaval é uma tentativa desesperada de adiarmos o início das tomadas de decisões importantes. Fingimos que os problemas podem esperar. Adiamos o início do regime, da atividade física, daquele curso de extensão. Jogamos para longe a decisão de repensar a relação, o emprego, os nossos valores. É a fantástica capacidade humana de encontrar rotas de fuga de tudo o que desafie o comodismo em busca do novo. Seja lá como for, o carnaval já passou. Agora, o melhor é assumir todas as belezas e os desafios da sua vida. Não perca mais tempo. Daqui à pouco já é carnaval novamente.

Carnaval com Alberto Caeiro

Existem várias maneiras de aproveitar os dias de carnaval. Entre outras coisas eu estou lendo “Poemas Completos de Alberto Caeiro”. Na verdade, Alberto Caeiro é um heterônimo de Fernando Pessoa. Ao contrário dos pseudônimos – vários nomes para uma mesma personalidade, heterônimos constituem várias pessoas que habitam um único poeta. Fernando Pessoa utilizou esse expediente para dar vazão à sua multifacetada visão sobre os mais diversos assuntos. Eram muitos ‘eus’ em sua personalidade, o que levou o grande poeta português à criar heterônimos : além de Alberto Caeiro, também Ricardo Reis e Álvaro de Campos, todos com datas e locais de nascimento próprios. E claro, personalidade e pontos de vista pessoais. Conhecer a obra de Fernando Pessoa é uma experiência fascinante. Transcrevo alguns poemas de Alberto Caeiro, que mostram sua visão ácida e pragmática da vida.

Hoje de manhã saí muito cedo,
Por ter acordado ainda mais cedo
E não ter nada que quisesse fazer…

Não sabia que caminho tomar
Mas o vento soprava forte,
E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas.
Assim tem sido sempre a minha vida, e assim quero que possa ser sempre
Vou onde o vento me leva e não me deixo pensar.

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Nunca busquei viver a minha vida.
A minha vida viveu-se sem que eu quisesse ou não quisesse.
Só quis ver como se não tivesse alma.
Só quis ver como se fosse apenas olhos.

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Não sei o que é conhecer-me. Não vejo para dentro.
Não acredito que eu exista por detrás de mim.

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Quando a erva crescer em cima da minha sepultura,
Seja esse o sinal para me esquecerem de todo.
A Natureza nuca se recorda, e por isso é bela.
E se tiverem a necessidade doentia de ‘interpretar’ a erva verde sobre a minha sepultura,
Digam que eu continuo a verdecer e a ser natural.

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Pouco me importa.
Pouco me importa o quê ? Não sei : pouco me importa.

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Quando vier a primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na primavera passada.
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.

[…]

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.